Alvo de investigação no caso Banco Master, BRB paga R$ 50 mil por dia por não entregar balanço financeiro

Banco de Brasília foi classificado com o selo de “alto risco de calote” após negociações suspeitas entre ex-presidente e Daniel Vorcaro

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

Em meio a investigações policiais e escândalos de corrupção, o Banco de Brasília (BRB) também enfrenta uma corrida contra o tempo para dar transparência a operações financeiras suspeitas realizadas ao longo de 2025. O banco não entregou dentro do prazo o balanço financeiro do ano passado e agora corre o risco de enfrentar penalidades da Comissão de Valores Mobiliários e do Banco Central por não ter apresentado o documento. A data limite para divulgação das demonstrações financeiras venceu no mês passado.

Com o atrazo, o BRB foi obrigado a pagar uma multa diária de R$ 50 mil até entregar o balanço. Caso o atraso ultrapasse 12 meses, o banco corre o risco de ter seu registro de companhia aberta suspenso. “Importante destacar que a aplicação das penalidades ocorre em face da análise de todo o conteúdo processual, inclusive, as circunstâncias da infração administrativa”, informou a CVM.

O Banco Central determinou a segunda quinzena de maio como prazo final e ameaça punições mais radicais se o prazo não for cumprido novamente.

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A situação se agrava em meio às investigações da Polícia Federal sobre operações suspeitas envolvendo o Banco Master. Nesta quinta-feira (16), uma nova fase da Operação Compliance Zero resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, acusado de envolvimento no esquema de fraudes bilionárias ao usar a instituição para comprar ativos do Master em troca de propina.

Rebaixamento de nota

Moody’s Local, agência de classificação de risco, reduziu a nota de crédito do BRB de BBB- para CCC+. A nova classificação aponta alto risco de calote. A agência também sinalizou a possibilidade de novo rebaixamento.

De acordo com a Moody’s, a mudança reflete a provável necessidade de injeção de capital na instituição. As perdas decorrem de ativos adquiridos do Banco Master. “Até o momento, não houve comunicação ao mercado sobre a extensão do impacto das operações supostamente fraudulentas, nem a apresentação de um plano definido para a recuperação do capital”, afirmou a agência.

Na prática, o rebaixamento dificulta o acesso do banco a crédito no mercado. Investidores tendem a exigir juros mais altos para emprestar recursos a instituições com nota baixa. Isso pode agravar ainda mais a situação financeira do BRB.

Rombo bilionário

Nos últimos meses, o BRB tem corrido para cobrir um rombo bilionário. A instituição comprou R$ 12,2 bilhões em créditos do Banco Master, operado por Daniel Vorcaro. Segundo investigações, esses créditos eram falsificados.

O banco informou ter recuperado parcialmente esse valor. Porém, a extensão total do prejuízo ainda não foi divulgada ao mercado. A ausência de transparência preocupa investidores e órgãos reguladores.

Faria Lima

Nos bastidores do mercado financeiro, o atraso na divulgação do balanço tem ampliado a desconfiança de investidores, especialmente na Faria Lima, principal centro financeiro do país. Segundo a colunista Mariana Barbosa, do UOL, há temor de que o banco esteja enfrentando dificuldades maiores do que as já conhecidas e que a demora na prestação de contas esteja ligada à tentativa de dimensionar o tamanho real das perdas e da necessidade de capitalização.

A preocupação vem também de investidores que compraram bilhões de reais em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. A operação agora é vista pelo mercado como de alto risco, dada a baixa liquidez desses papéis e a incerteza sobre a qualidade dos ativos envolvidos.

Contenção de danos

Para enfrentar a crise, o BRB estuda um plano de corte de custos. Entre as medidas estão o fechamento de agências e a redução de áreas pouco rentáveis. O presidente do banco, Nelson de Souza, afirmou ao Correio Braziliense que a prioridade é manter o bom atendimento aos clientes.

“Vamos mensurar caso a caso, sem nenhum alarde. Onde tivermos negócios que sejam bons para o banco, vamos manter”, declarou Souza. O executivo reconheceu que o momento exige medidas duras para reorganizar a instituição e cumprir as regras contábeis do Banco Central.

O BRB atua em diversos estados brasileiros. A instituição gerencia folhas de pagamento de servidores públicos. Entre os negócios que devem ser mantidos estão gestões em Tocantins e nas cidades de João Pessoa e Maceió.

Ajuda do governo

No governo federal, a sinalização negativa sobre a possibilidade de socorro ao banco veio do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. Nesta quinta, ele afirmou ser “radicalmente contra” o uso de recursos da União para ajudar o BRB. “Sou radicalmente contra qualquer tipo de socorro com dinheiro público. Quem tiver responsabilidade que responda pelos seus atos”, disse o ministro, ao defender que eventuais prejuízos sejam tratados no âmbito do Distrito Federal e que os responsáveis pelo caso sejam punidos.

Operação Compliance Zero

As investigações da Polícia Federal apontam para um esquema de fraude financeira de grandes proporções:

  • Daniel Vorcaro vendeu ao BRB carteiras de crédito fraudulentas que somam mais de R$ 12 bilhões
  • banqueiro foi preso pela Polícia Federal em operações que investigam lavagem de dinheiro
  • ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso acusado de receber R$ 146 milhões em imóveis para aprovar as compras suspeitas de ativos do Master
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