Gasolina com 32% de etanol não garante redução de preço na bomba, alerta ex-diretor da ANP

Em entrevista à TMC, David Zylbersztajn analisa os impactos nos motores e aponta contradições na política de subsídios do governo

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(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve oficializar, nesta terça-feira (14/07), a elevação da mistura de etanol etanol anidro na gasolina dos atuais 30% para 32%.

A proposta surge em meio a crise da guerra do Irã e de pressão sob o governo para avaliar o preço do combustível. No entanto, na avaliação do ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) David Zylbersztajn, a medida do CNPE não deve impactar no bolso do consumidor.

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Para quem espera um alívio imediato nos preços dos combustíveis com a nova mistura, a análise do especialista é de ceticismo. Embora o momento atual da matéria-prima seja favorável, o impacto real do volume adicional nas bombas deve ser irrelevante.

“Quanto ao preço, não há nenhuma garantia de redução”, afirmou Zylbersztajn em entrevista à TMC .

Impacto nos motores e desempenho

Uma das principais preocupações dos proprietários de veículos, especialmente daqueles que possuem carros movidos exclusivamente a gasolina, é o potencial impacto mecânico de um combustível mais concentrado em etanol.

O especialista, no entanto, buscou tranquilizar o consumidor, ressaltando que a segurança técnica é pré-requisito para a mudança: “Entendo que a proposta vem acompanhada de laudos técnicos para garantir que quem usa o carro à gasolina tenha um desempenho adequado para não danificar o motor.”

Contradições econômicas e o setor sucroalcooleiro

A medida é vista como um forte aceno político e econômico ao agronegócio. O ex-diretor da ANP reconhece o mérito de apoiar a produção nacional, mas pede cautela na execução da política pública.

“Evidentemente essa medida favorece o setor sucroalcooleiro e faz sentido que esse setor seja prestigiado. Agora, isso precisa ser feito com muita responsabilidade.”

Zylbersztajn também apontou o que considera uma “incoerência” na atual política de preços do governo, que tenta adotar duas medidas de direções opostas simultaneamente: estimular o biocombustível e, ao mesmo tempo, segurar artificialmente o preço do combustível fóssil.

“Ao mesmo tempo que você aumenta a mistura para vender mais etanol, você ainda tem a subvenção da gasolina. São movimentos contraditórios. O primeiro movimento seria retirar o subsídio da gasolina porque esse subsídio altera a competitividade entre etanol e a gasolina. Seria retirar e melhorar o mercado para o etanol. Você está criando um mercado desigual. Então o primeiro movimento seria retirar esse subsídio e depois aplicar essa medida de aumentar o etanol na gasolina.”

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