PF vai ouvir empresária em investigação que pode atingir Lulinha

Polícia Federal quer descobrir se filho do presidente Lula recebia mesada de R$ 300 mil do Careca do INSS

Por Redação TMC | Atualizado em
Foto: Instagram

A Polícia Federal vai ouvir a empresária Roberta Luchsinger antes de definir pela convocação ou não de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para depor. Ela será questionada sobre transferências financeiras feitas pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Existe a suspeita de que o dinheiro pode ter sido utilizado para pagar uma mesada ao filho do presidente Lula. O depoimento dela ocorre no contexto da investigação sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social.

A corporação intimou mais de 30 pessoas na última semana. Roberta Luchsinger, sócia da RL Consultoria e Intermediações, aparece nas investigações como um dos possíveis elos entre o Lulinha e o lobista. A empresária já foi alvo de mandados de busca e apreensão.

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A investigação conduzida pela PF acontece no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos de benefícios do INSS. A convocação da empresária tem como um dos motivos esclarecer as menções ao suposto pagamento de mesada, segundo pessoas que acompanham o caso.

Os investigadores identificaram transferências financeiras que levantaram suspeitas sobre possíveis benefícios ao filho do presidente. A PF detectou que Antunes ordenou pagamentos à empresa de Roberta Luchsinger. As autoridades analisam se esses valores teriam sido repassados a Lulinha.

A investigação avança para determinar se a empresária fazia pagamentos ao filho do presidente. Os investigadores apuram se ela custeava viagens realizadas por ele com recursos provenientes de Antunes.

Origem das suspeitas

Os investigadores analisam movimentações financeiras sobre desvios no INSS para descobrir se o filho do presidente foi beneficiário final de recursos. A investigação surgiu a partir da operação que apura desvios de descontos do instituto. Durante as apurações, a PF encontrou mensagens e movimentações financeiras que indicaram possíveis repasses a pessoas ligadas ao esquema.

Há suspeita de uma mesada no valor de R$ 300 mil a Lulinha. A PF quer evitar uma quebra de sigilo mais ampla, o que poderia ser interpretada como uma devassa sobre o filho do presidente da República.

Edson Claro, ex-funcionário do lobista, disse em depoimento que Antunes pagava essa quantia mensalmente a Lulinha. Claro afirmou que o lobista ostentava publicamente sua ligação com o filho do presidente Lula. A investigação quer determinar se Roberta Luchsinger repassou o dinheiro ao filho do presidente ou a outra pessoa.

A primeira fase da Operação Sem Desconto foi deflagrada em abril de 2025. Antunes e o empresário Maurício Camisotti, um dos principais operadores do esquema, foram presos em setembro de 2025.

Uma fase da operação realizada no fim de 2025 detectou os pagamentos à empresária. A PF afirmou ter identificado pagamentos de R$ 300 mil feitos por ordem de Antunes à empresária amiga de Lulinha. Atualmente, a PF considera que a operação se encaminha para a sua metade final.

A PF também detectou pagamentos totalizando R$ 1,5 milhão feitos por ordem de Antunes à empresária Roberta Luchsinger. O valor teria sido recebido em parcelas do lobista.

Nas conversas analisadas, o operador financeiro pergunta quem seria o destinatário do dinheiro. Antunes responde que seria “o filho do rapaz”. Em seguida, recebe o comprovante do pagamento para a empresa de Roberta. À época da detecção desses pagamentos, a PF avaliava a suspeita de que Antunes se referia a Lulinha. Os investigadores consideravam que o filho do presidente poderia ser um sócio oculto do lobista.

Lulinha teve seus sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados por ordem do ministro André Mendonça, do STF, a pedido da própria PF. Não houve quebra de sigilo das empresas que pertencem ao filho do presidente. Na quebra de sigilo de Lulinha, porém, não constam repasses diretos de Antunes a ele.

As investigações são conduzidas pela Polícia Federal em Brasília.

A operação ainda pode render desdobramentos com delações premiadas que têm sido negociadas. Uma delas é com o empresário Maurício Camisotti, um dos principais operadores do esquema. Camisotti discute a possibilidade de fechar um acordo com a PF. Paralelamente, a PF analisa acordos de colaboração premiada que têm sido negociados.

A defesa de Lulinha nega, por nota, qualquer participação dele nas fraudes no INSS. Os advogados colocam o filho do presidente à disposição do STF para esclarecimentos adicionais. Os advogados do filho do presidente afirmaram: “Caberá às autoridades determinar a necessidade de um depoimento após os esclarecimentos e as oitivas em curso, o que aguardamos com absoluta tranquilidade e a mesma intenção colaborativa e disponibilidade”.

A defesa de Roberta Luchsinger afirma que sua empresa atua com a prospecção e intermediação de negócios com empresas nacionais e estrangeiras “e, nesse âmbito, foi procurada no ano passado pela empresa Brasília Consultoria Empresarial S/A, de Antônio Carlos Camilo Antunes, para atuação na regulação do setor de empresas de canabidiol”.

Os advogados da empresária apontam que houve apenas tratativas iniciais que não chegaram a prosperar. Elas aconteceram antes das revelações dos desvios de descontos do INSS. Procurada novamente, a defesa disse que Roberta está disponível para colaborar. “Temos todo interesse que ela se explique”, disse.

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