Paulo Henrique Costa, que presidiu o Banco de Brasília (BRB), passou por audiência de custódia e foi encaminhado ao Complexo Penitenciário da Papuda nesta quinta-feira (16/04). A Polícia Federal prendeu Costa preventivamente na quarta fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes envolvendo o Banco Master.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva com base em evidências de participação de Costa em esquema criminoso. A decisão judicial aponta que o envolvimento do ex-presidente do BRB “não se limita a uma negligência administrativa ou deficiência de governança, mas alcança, em tese, a adesão consciente ao arranjo criminoso”. Mendonça sustenta que Costa teria atuado deliberadamente para favorecer a liquidez do Banco Master em troca de vantagens indevidas.
A decisão cita mensagens trocadas entre Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Nas conversas, Costa afirmou que seguia empenhado nas tratativas de interesse de Vorcaro. O ex-presidente do BRB disse que estava “virando noite” para tentar resolver pendências da operação entre os dois bancos. Os diálogos foram utilizados para demonstrar a existência de uma relação de proximidade e alinhamento entre os dois.
Operações somam R$ 12,2 bilhões
O BRB adquiriu ativos e carteiras de crédito do Banco Master entre julho de 2024 e outubro de 2025. Os autos do processo indicam que as operações alcançaram R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito supostamente irregulares. O banco estatal realizou as aquisições apesar de pareceres técnicos e jurídicos contrários à operação financeira.
As investigações identificaram negociação estimada em R$ 146 milhões em imóveis de luxo entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa. As tratativas foram suspensas após Vorcaro tomar conhecimento das apurações sobre o suposto esquema de pagamento de propinas e ocultação patrimonial.
Daniel Vorcaro está envolvido nas investigações. Outro preso na operação é o advogado Daniel Monteiro. A decisão judicial aponta que Monteiro teria estruturado empresas de fachada para ocultar patrimônio, documentos e conferir aparência de legalidade às operações financeiras.
O ministro André Mendonça solicitou a inclusão do processo em pauta da Segunda Turma do STF, em sessão virtual, para referendo da decisão que determinou as prisões. Mendonça avalia que medidas cautelares diversas da prisão seriam insuficientes diante do grau de articulação dos investigados, da complexidade do esquema e da continuidade dos atos de lavagem de dinheiro.




