A Amazon vai conseguir o primeiro Super Bowl no streaming? A pergunta feita por Julia Alexander no Puck, nesta semana, repercutia a declaração de Jay Marine à Andrew Marchand. O VP de esportes afirmou que o Prime Video inevitavelmente ficaria com os direitos do Big Game.
Sem surpresa, a analista acredita que é praticamente certo que uma plataforma de streaming consiga os direitos exclusivos de transmitir o Super Bowl na próxima década. Ela aponta a Amazon, que “já se provou com o ‘Thursday Night Football’ e está no topo de um geyser de dinheiro do e-commerce”, como a sucessora natural de uma tradição de seis décadas.
Alexander destacou: “A Amazon tem, de longe, o maior portfólio de direitos esportivos entre os streamers puros, e claramente é o mais ambicioso (…) Marine fala com a confiança que só é possível quando você tem uma empresa de $3 trilhões por trás de você.”
Conforme relatou John Ourand, analistas financeiros, incluindo Michael Nathanson, da MoffettNathanson, apostam que o controle da NBC sobre o Sunday Night Football pode ser o mais ameaçado. E ele coloca o Prime Video como um dos principais licitantes, o que poderia derrubar a teoria de que os parceiros atuais da NFL não desembolsariam mais US$ 1 bilhão cada um antes de finalmente cederem.
O poder de fogo do Prime Video em meio à reconfiguração da TV esportiva na era da fragmentação foi apelidado por Dan Shanoff de “The Master’s Amazon Era”. O jornalista do The Athletic também repercutiu o artigo de Marchand, apostando que, embora possa haver (principalmente) um “rebundle” conveniente em plataformas como o YouTube TV, um gigante trilionário como a Amazon vai continuar expandindo seus direitos exclusivos ao vivo e seu portal para usuários que assinam outras redes, como o Paramount+.
Shanoff lembra que “200 milhões de nós temos acesso ao Prime Video simplesmente pela função de querer frete grátis”. E esse, segundo ele, é um ponto de partida muito bom, aproximadamente 20 vezes maior que a presença do YouTube TV ou das empresas de TV a cabo.
Foi justamente esse ponto debatido pelo blog 365247 Sports: a Amazon não está no ramo esportivo, e sim comprando o consumidor.
“A estratégia é enganosamente simples e implacavelmente consistente. Seja dono do maior empreendimento esportivo em cada território.”
Números trazidos pelo blog justificam a tese e por que a Amazon se sente confortável em desembolsar cerca de US$ 3,8 bilhões por ano em direitos esportivos.
Uma família Prime gasta aproximadamente US$ 1.400 por ano na Amazon, em comparação com cerca de US$ 600 para quem não é membro. E, uma vez cadastrados, tendem a permanecer. A taxa de retenção fica em torno de 95% após o primeiro ano e aumenta ainda mais depois disso.
Eu sou um desses que nunca mais saiu do Prime Video: entrei sob o pretexto do frete grátis há alguns anos e, desde então, estou lá dentro.
Novos dados da MoffettNathanson LLC estimam que empresas de mídia comprometerão até dois terços dos orçamentos de conteúdo para esportes ao vivo até 2028. Entre os sete principais gastadores, a Amazon, com 19%, e a Netflix, com 6%, são os que menos irão investir.

Fiz esse recorte proposital para discutir um ótimo comparativo da Octagon sobre como o streaming serviu de alavanca de audiência para propriedades esportivas, tendo como parâmetro o “passado linear” das propriedades esportivas.
O comparativo entre Amazon x Netflix debatido por Yannick Ramcke reforça por que o Prime combina hoje alcance máximo com massa crítica e densidade de programação esportiva ao vivo, tornando-se efetivamente um destino para esportes, e encontra-se atrás apenas da TV aberta.

Conforme explicou Ramcke, no caso do Prime Video e da Netflix, o alcance técnico nunca foi o fator limitante de audiência. Em vez disso, o crescimento da audiência segue um padrão familiar: curvas de adoção do consumidor.
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Assim como o conteúdo premium migrou gradualmente da TV linear para o streaming, o público também se desloca, geralmente pouco depois dos orçamentos publicitários.
A audiência média por jogo da NFL no Prime Video reflete bem esse movimento, com crescimento que não acompanha, na mesma proporção, a expansão da base de assinantes.
Ele destaca o crescimento de audiência: começou com 9,58 milhões em 2022, subiu para 11,86 milhões em 2023, 14,23 milhões em 2024 e chegou recentemente a 15,3 milhões na temporada de 2025. Ou seja, uma parcela maior dos assinantes está assistindo, e não apenas um aumento no número total de usuários alcançáveis.
E o que torna a Netflix diferente? Ramcke diz que, em alguns casos, a plataforma ignora completamente essa curva de adoção por meio da “eventização”. Esse formato, por sua vez, funciona para alguns, porém não resolve o desafio estrutural da indústria.
Conforme lembra Ramcke, isso levou ao atual estado de um mercado de direitos esportivos cada vez mais fragmentado e polarizado.
Em uma discussão recente, o Unofficial Partner sinalizou como a Netflix pode continuar sua trajetória sem a necessidade de esportes, enquanto a Amazon os considera um catalisador de crescimento incremental e um fator de fidelização.
No fim, como defendeu o podcast, nenhuma das duas enfrenta ameaça existencial sem seu catálogo de esportes. E isso altera fundamentalmente o poder de negociação, transferindo-o dos detentores de direitos para as plataformas.