O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira (20/04) que sua decisão de participar do conflito com o Irã não sofreu influência de Israel. A declaração acontece em meio a novas tensões no Estreito de Ormuz e com a viagem do vice-presidente JD Vance ao Paquistão para negociações. O confronto entre Estados Unidos, Israel e Irã começou em 28 de fevereiro de 2026.
Trump usou a plataforma Truth Social para contestar reportagens que indicavam Israel como responsável por convencê-lo a ingressar no conflito. O presidente atribuiu sua decisão aos eventos de 7 de outubro e à sua posição histórica contra o desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã.
“Israel nunca me convenceu a entrar na guerra com o Irã; os acontecimentos de 7 de outubro, somados à minha opinião de toda a vida de que O IRÃ NUNCA PODE TER UMA ARMA NUCLEAR, foram o que fizeram isso“, afirmou em uma publicação no Truth Social.
O presidente também fez previsões sobre os resultados do conflito. “Assim como os resultados na Venezuela, sobre os quais a mídia não gosta de falar, os resultados no Irã serão incríveis — e, se os novos líderes do Irã (Mudança de Regime!) forem inteligentes, o Irã pode ter um futuro grandioso e próspero!”, disse.
Trump informou à Fox News que um acordo com o Irã pode ser firmado nesta segunda-feira (20) no Paquistão. O presidente havia declarado anteriormente ao jornal “New York Post” que Vance e a delegação americana estavam a caminho de Islamabad.
O Paquistão atua como mediador no conflito entre Estados Unidos e Irã. JD Vance lidera o grupo de negociadores americanos que viajou ao país asiático para o primeiro ciclo de diálogo. A delegação inclui o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, segundo um funcionário da Casa Branca.
No domingo (19/04), Trump anunciou que uma delegação americana viajaria ao Paquistão para reativar as negociações com o Irã. O presidente ameaçou destruir “todas as usinas elétricas e todas as pontes do Irã” se as conversas fracassarem.
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O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta segunda que ainda não decidiu sobre sua participação na próxima rodada de negociações com os Estados Unidos. A declaração veio após Teerã acusar Washington de não levar o diálogo a sério.
“Neste momento, enquanto falo, não temos nenhum plano para a próxima rodada de negociações e nenhuma decisão foi tomada a respeito“, declarou o porta-voz da diplomacia, Esmail Baqai, durante uma entrevista coletiva.
A imprensa iraniana destacou que a suspensão do bloqueio naval americano é uma condição prévia para as conversações.
Forças norte-americanas interceptaram um navio cargueiro iraniano no Golfo de Omã no domingo (19). Trump afirmou que a embarcação foi atingida após desobedecer a uma ordem de parada das forças norte-americanas. O presidente disse que um “buraco” foi aberto na casa de máquinas da embarcação.
“Neste momento, fuzileiros navais dos EUA estão com a custódia da embarcação. O TOUSKA está sob sanções do Departamento do Tesouro dos EUA devido a um histórico anterior de atividades ilegais. Temos controle total do navio e estamos verificando o que há a bordo”, declarou Trump.
O Comando Central do Exército dos Estados Unidos divulgou um vídeo do momento em que militares entram no navio cargueiro iraniano interceptado no Golfo de Omã. As imagens mostram militares descendo de rapel diretamente nos contêineres do navio cargueiro, conhecido como Touska.
Antes da entrada dos militares com o auxílio de um helicóptero, os EUA já havia interceptado o navio a partir de outra embarcação. A embarcação tentou furar um bloqueio naval imposto pelos EUA no Golfo de Omã, segundo Trump.
A interceptação ocorreu porque o navio iraniano estava sob sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos devido a um histórico anterior de atividades ilegais. A embarcação desobedeceu a uma ordem de parada das forças norte-americanas. A ação levou ao ataque e à tomada de controle do cargueiro.
O Irã classificou a ação como uma violação do cessar-fogo entre os dois países. Teerã prometeu uma resposta. O navio saiu da China e tinha como destino um porto iraniano, segundo o Irã.
A ação norte-americana foi realizada em meio a uma escalada de tensões entre Irã e Estados Unidos. O episódio aconteceu a poucos dias do prazo para o fim do cessar-fogo entre os dois países.
O principal ponto de atrito entre os dois países envolve o tráfego de navios no Estreito de Ormuz. Na sexta-feira (17/04), o Irã anunciou a reabertura total da rota. Um dia depois, voltou atrás. O país disse ter fechado a via por causa do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos a portos iranianos.
No sábado, a Guarda Revolucionária do Irã atirou contra dois petroleiros indianos que transitavam pela região. Trump criticou a ação nas redes sociais.
“O Irã decidiu disparar tiros ontem no Estreito de Ormuz — uma violação total do nosso acordo de cessar-fogo!“, escreveu Trump em publicação na manhã de domingo. “Isso não foi nada legal, foi?”




