Por que o novo presidente da Colômbia vai romper com Cuba e Nicarágua? Entenda a guinada diplomática

Presidente eleito declarou que não manterá vínculos com ‘tiranias’ e anunciou fechamento de 14 embaixadas e 15 consulados para redirecionar verbas à segurança pública

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(Foto: REUTERS/Juan David Duque)

O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou uma profunda reformulação na política externa e na estrutura do Estado antes mesmo de assumir o cargo, em 7 de agosto. Em publicação em suas redes sociais, o futuro mandatário confirmou o rompimento de laços com Cuba e Nicarágua, o fechamento de dezenas de missões diplomáticas e a mudança da sede da presidência.

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Abaixo, entenda os principais pontos da decisão e o que muda na diplomacia colombiana:

1. Por que romper com Cuba e Nicarágua?

A motivação principal é de ordem ideológica. De la Espriella justificou a decisão afirmando que a Colômbia não manterá vínculos com governos que classifica como tiranias. “No meu governo, não haverá vínculo algum com tiranias”, declarou.

No caso da Nicarágua, o anúncio responde diretamente a reformas legislativas recentes promovidas pelo governo de Manágua que impedem partidos de oposição de disputar eleições.

2. O que muda nas embaixadas e no orçamento?

Para além do alinhamento ideológico, a medida envolve um plano de austeridade na máquina pública. De la Espriella anunciou o encerramento de 14 embaixadas e 15 consulados ao redor do mundo.

  • Países afetados por fechamentos: Argélia, Haiti, Barbados, Hungria, Senegal, Etiópia e África do Sul.
  • Unificação de postos: As representações na França e na Itália passarão a operar de forma unificada.
  • Para onde vai o dinheiro? Toda a verba economizada com o enxugamento da rede diplomática será redirecionada para investimentos em segurança pública.

O presidente eleito ressaltou que o encerramento desses postos “não significa romper relações diplomáticas” com todas as nações citadas, garantindo que o atendimento aos cidadãos colombianos será mantido por meio de embaixadas regionais vizinhas.

Leia mais: Quem é Abelardo De la Espriella, novo presidente eleito da Colômbia

3. Reversão total da política de Gustavo Petro

O movimento marca uma ruptura radical com a gestão do atual presidente, Gustavo Petro:

  • Relação com Israel: Enquanto Petro cortou laços diplomáticos com Israel em 2024, De la Espriella planeja reativar a representação colombiana em Jerusalém.
  • Palestina: O processo de abertura de uma embaixada na Palestina, iniciado por Petro, será suspenso.
  • Nova presença na África: Em contrapartida aos cortes, o novo governo pretende abrir uma embaixada na Nigéria para reforçar laços com a África Ocidental.

4. Mudança histórica na sede do governo

As alterações não se limitam à diplomacia. Na gestão interna, De la Espriella vai transferir a sede permanente da presidência colombiana de Bogotá para Barranquilla.

Já a tradicional Casa de Nariño, palácio presidencial na capital colombiana, deixará de abrigar o Executivo e será convertida em um museu aberto ao público. A cerimônia de posse, marcada para 7 de agosto, está prevista para ocorrer em Cali, pendente apenas de aprovação pelo Congresso.

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