Histórias de Copa: A noite que tirou o Brasil do Mundial de 1986

Quebra de disciplina, lealdade entre companheiros e uma decisão que marcou a história da Seleção Brasileira às vésperas do Mundial do México

Por Breno Avila | Atualizado em
Foto: FIFA

Uma noite em Belo Horizonte mudou o destino da Seleção Brasileira. O que parecia apenas uma saída comum durante a folga acabou se transformando em um dos episódios mais emblemáticos da história das Copas do Mundo.

O ano era 1986. Sob o comando de Telê Santana, a Seleção se preparava para a Copa do Mundo do México e estava concentrada na Toca da Raposa, em Belo Horizonte, antes de seguir para amistosos na Europa. No dia 23 de fevereiro, um domingo, o elenco foi liberado para circular pela cidade. Todos deveriam retornar até as 23h.

Entre os jogadores estavam Renato Gaúcho, então com 23 anos e vivendo grande fase no Grêmio, e Leandro, campeão mundial pelo Flamengo e peça importante da equipe. A noite se estendeu além do permitido e o retorno à concentração virou o ponto central da história.

Após atraso no retorno, a ideia inicial era pular o muro da Toca da Raposa para evitar problemas. Mas Leandro, com receio, não quis. Foi então que Renato tomou uma decisão que marcaria sua trajetória: preferiu entrar pela porta da frente ao lado do companheiro. Os dois conversaram com os seguranças e foram dormir, acreditando que a situação estava resolvida. No dia seguinte, porém, a quebra de regra foi reportada à comissão técnica.

Apesar da gravidade, nenhum dos dois foi cortado imediatamente. Lideranças do elenco, como Zico, atuaram para amenizar a situação. Mas a decisão final viria meses depois e seria definitiva. Quando Telê Santana anunciou a lista de convocados para a Copa do Mundo, o nome de Renato Gaúcho ficou de fora.

A surpresa maior, no entanto, ainda estava por vir. Mesmo convocado, Leandro decidiu não disputar o Mundial. Abalado com a ausência do amigo e se sentindo responsável pelo corte, ele abriu mão da vaga no dia do embarque da delegação, no Aeroporto do Galeão. Zico ainda tentou convencê-lo a mudar de ideia, mas não teve sucesso. A decisão chocou o grupo.

Sem Renato e Leandro, o Brasil seguiu para a Copa do Mundo de 1986. A campanha terminou nas quartas de final, com eliminação nos pênaltis diante da França.

Foto: FIFA

Décadas depois, a pergunta permanece sem resposta: o que teria acontecido se os dois estivessem em campo?

Uma dúvida que atravessa gerações e que segue viva como parte da memória do futebol brasileiro. Histórias de Copa.

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