A Copa do Mundo de 2026 promete marcar uma nova era no futebol. A Fifa aplicou um pacote de inovações baseadas em inteligência artificial que promete transformar o torneio em um grande laboratório tecnológico, com impacto direto na arbitragem, na análise de desempenho das seleções e até na experiência do torcedor.
Entre as principais novidades está a adoção de um novo sistema de impedimento em 3D, capaz de reconstruir os jogadores como avatares digitais em tempo real para tornar as decisões mais precisas e compreensíveis.
O recurso substitui as tradicionais linhas coloridas exibidas nas transmissões por uma representação tridimensional do lance. Cada atleta foi escaneado antes do torneio para a criação de um “gêmeo digital”, reproduzindo suas medidas reais, postura e posicionamento exato dentro de campo.
“O árbitro não verá mais apenas linhas em uma imagem plana. Ele visualizará corpos ocupando espaço, com precisão milimétrica”, explicou a Fifa ao detalhar o funcionamento da tecnologia.
O sistema utiliza uma técnica de aprendizado de máquina conhecida como “splatting gaussiano 3D”, que transforma milhões de pixels captados pelas câmeras em nuvens de partículas capazes de reconstruir uma cena tridimensional praticamente instantânea.
Na prática, mais de 1.200 jogadores das 48 seleções passaram por sessões de escaneamento para a criação de seus avatares digitais. Os modelos consideraram proporções corporais reais, inclusive o tamanho dos pés — detalhe que pode ser decisivo em lances ajustados de impedimento.
A Fifa ressalta, no entanto, que a tecnologia não substituirá o árbitro.
“O papel da tecnologia é medir e tornar a decisão mais compreensível, e não substituir o julgamento humano”, reforçou Pierluigi Collina, presidente do Comitê de Árbitros da entidade.
Para monitorar os lances, o sistema contará com 14 câmeras especializadas, outras sete câmeras de apoio e um chip instalado na bola, permitindo identificar com exatidão o momento do toque e a posição dos atletas.
Football AI Pro
Outra aposta da entidade é o Football AI Pro, plataforma desenvolvida em parceria com a Lenovo para oferecer análises avançadas às seleções participantes.
A ferramenta processa petabytes de dados históricos e cruza mais de 2 mil métricas táticas e físicas para gerar respostas em segundos a partir de perguntas feitas pelas comissões técnicas.
Treinadores podem consultar a plataforma com questionamentos objetivos, como identificar vulnerabilidades do adversário, tendências de comportamento em determinados momentos da partida ou possíveis ajustes estratégicos.
A proposta vai além da inovação tecnológica.
Segundo a Fifa, o acesso igualitário ao Football AI Pro pelas 48 seleções representa uma tentativa de reduzir a desigualdade no uso de dados e ferramentas de análise entre países com diferentes níveis de investimento.
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A entidade entende que a democratização dessas informações pode ampliar a competitividade e oferecer suporte mais qualificado à tomada de decisões técnicas.
Câmera corporal terá imagens estabilizadas
Outra novidade é a evolução da Referee Cam, a câmera corporal utilizada pelos árbitros.
Em versões anteriores, o excesso de movimento comprometia a qualidade das imagens. Agora, um sistema de estabilização baseado em inteligência artificial corrigirá as oscilações em tempo real, entregando imagens mais fluidas e compreensíveis para as transmissões.
Além de proporcionar maior imersão ao público, o recurso poderá ampliar a transparência sobre o posicionamento e a percepção do árbitro em lances decisivos.
Copa mais tecnológica da história
Com 104 partidas distribuídas entre Estados Unidos, Canadá e México, a Copa do Mundo de 2026 será a maior já realizada e também a mais conectada.
A estrutura tecnológica vai contar com mais de 17 mil dispositivos espalhados pelos 16 estádios do torneio, processando milhões de informações para atender uma audiência estimada em 6 bilhões de pessoas.
Mais do que espetáculo, a Fifa aposta que a inteligência artificial se tornará uma infraestrutura permanente do futebol, influenciando decisões dentro e fora das quatro linhas.
Se a tecnologia conseguirá eliminar as polêmicas da arbitragem, ainda é uma incógnita. O que já parece certo é que, a partir de 2026, o futebol entrará definitivamente na era da inteligência artificial.
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