Em meio às celebrações do Dia da Terra, em 22 de abril, a WSL reafirma sua posição entre as organizações esportivas mais comprometidas com práticas sustentáveis no planeta. Por meio da plataforma WSL One Ocean, a entidade estrutura uma atuação que ultrapassa os limites das competições, promovendo impacto ambiental positivo em todas as etapas do circuito mundial, com atenção especial ao Brasil.
A WSL One Ocean é o principal pilar dessa estratégia. A iniciativa estabelece diretrizes para redução de emissões de carbono, eliminação de plásticos descartáveis, preservação de ecossistemas costeiros e educação ambiental em comunidades locais. Mais do que mitigar danos, o objetivo é deixar um legado permanente nas regiões que recebem os eventos.
Um exemplo recente desse compromisso é a parceria entre a WSL e a Mubadala Brazil SailGP Team. Juntas, as entidades foram responsáveis pela retirada de mais de oito toneladas de resíduos da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, reforçando a atuação prática em um dos ambientes mais emblemáticos do país.
Esse modelo ganha força na elite do surfe mundial. A etapa do Championship Tour em Saquarema, o Vivo Rio Pro apresentado por Corona Cero, consolidou-se como um dos principais casos de sustentabilidade no esporte internacional.
Na edição de 2025, o evento ampliou seu alcance ambiental com ações concretas e mensuráveis. Entre os destaques, está o reaproveitamento das lonas da estrutura do campeonato, transformadas em 340 mourões destinados à proteção de 1 quilômetro de restinga na Praia de Itaúna, área essencial para a preservação costeira.
A iniciativa integra um programa de upcycling iniciado em 2019, que já resultou na produção de mochilas, lixeiras, bancos de praça e até abrigos de pontos de ônibus a partir de resíduos gerados nos eventos.
Além disso, o VIVO Rio Pro 2025 apresentou números expressivos na gestão de resíduos: cerca de três toneladas de lixo foram coletadas, com 99% de reaproveitamento. A ação evitou a emissão de aproximadamente 3 mil kg de CO₂ e gerou uma economia superior a 12 mil kWh de energia.
Entre os materiais reciclados estão vidro, lonas, copos de papel e presilhas plásticas, sendo estas últimas convertidas posteriormente em quilhas de prancha, conectando a sustentabilidade diretamente ao esporte.
O impacto também se reflete na economia e no social. A edição de 2025 do evento movimentou cerca de R$ 179 milhões e gerou mais de 6 mil empregos em Saquarema, evidenciando que desenvolvimento sustentável e crescimento econômico podem caminhar juntos.
Essa lógica de legado contínuo também está presente nas etapas do Circuito Banco do Brasil de Surfe, integrante do Qualifying Series (QS). Entre as ações adotadas estão o uso zero de plástico descartável, parcerias com cooperativas locais para gestão de resíduos e um consistente programa de economia circular. Materiais utilizados nas competições ganham novos usos, sendo transformados em lixeiras ecológicas, bancos, nécessaires, abrigos de ônibus e estruturas de proteção da vegetação nativa, como já ocorreu na Praia de Itaúna.
Itens como abraçadeiras de nylon também são reaproveitados e convertidos em quilhas de prancha e raspadores de parafina, reforçando a integração entre sustentabilidade e prática esportiva. Além disso, mutirões de limpeza e programas educativos em escolas públicas ampliam o alcance das ações, chegando a cidades como Salvador, Garopaba, São Sebastião, Marechal Deodoro, Torres, Natal, Guarapari, Imbituba e Saquarema.
Para Ivan Martinho, o surfe desempenha papel central nessa agenda. “Nosso objetivo é que cada etapa deixe um impacto positivo real. O projeto de upcycling é fruto de um compromisso contínuo com o meio ambiente, sempre buscando soluções que tenham utilidade prática para as comunidades locais e contribuam para a preservação dos ecossistemas”, afirma.
Ao transformar suas competições em plataformas de impacto ambiental, a WSL não apenas acompanha uma tendência global — ela se posiciona como protagonista. Em um cenário que exige respostas concretas, o surfe reforça sua essência: um esporte que nasce do oceano e que trabalha, cada vez mais, para protegê-lo.
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