A Justiça Federal determinou a prisão preventiva de 36 investigados na operação Narcofluxo. Entre os alvos estão MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa de Oliveira, proprietário da Choquei. A decisão foi proferida nesta quinta-feira (23/04) pelo juiz federal Roberto Lemos dos Santos, que atendeu solicitação da Polícia Federal com acolhimento do Ministério Público Federal.
A medida judicial ocorreu horas após o Superior Tribunal de Justiça conceder alvarás de soltura aos mesmos investigados. Com a nova determinação, os detidos permanecerão presos por tempo indeterminado. A investigação tramita sob sigilo.
A Polícia Federal apresentou à Justiça Federal pedido para converter as prisões temporárias em preventivas. O juiz federal Roberto Lemos dos Santos acatou a solicitação.
A decisão fundamenta-se em investigações que apontam participação dos alvos em ações voltadas à “movimentação de expressivos valores ilícitos”, provenientes do tráfico internacional de drogas e outros crimes. Segundo o magistrado, há indícios de “transações financeiras complexas e utilização de criptoativos, com indícios de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial em larga escala”.
De acordo com a decisão, o grupo investigado integra uma “complexa organização voltada à lavagem de capitais […] com movimentação de valores que ultrapassam R$ 1,61 bilhão.”
Os investigados foram detidos em 15 de abril. Na madrugada desta quarta-feira (23/04), o Superior Tribunal de Justiça concedeu alvarás de soltura aos 36 alvos da operação. Logo após a concessão dos alvarás, a Polícia Federal apresentou novo pedido de prisão. A decisão do juiz federal Roberto Lemos dos Santos foi proferida na tarde desta quinta-feira (23/04).
A Polícia Federal havia solicitado inicialmente prisão de cinco dias. O novo pedido requer prisões preventivas com duração indeterminada.
Na decisão, o magistrado afirma que o esquema operava como uma “engrenagem criminosa […] que movimentava valores bilionários por meio de intermediadoras financeiras de alto risco, empresas de fachada e múltiplas contas de passagem”.
A Polícia Federal aponta MC Ryan SP como líder e beneficiário econômico do esquema. Entre os investigados estão MC Poze do Rodo, Raphael Sousa de Oliveira, dono da Choquei, e Henrique Viana, conhecido como “Rato”, dono da Love Funk. A operação atingiu 36 pessoas ao todo, incluindo outros influenciadores.
MC Poze do Rodo foi detido em um condomínio de luxo no Rio de Janeiro. MC Ryan SP foi preso na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista.
A operação cumpriu 90 mandados judiciais, entre buscas e prisões, distribuídos em oito estados e no Distrito Federal.
A Justiça autorizou o bloqueio de cerca de R$ 1,6 bilhão, com valores movimentados superiores a R$ 1,61 bilhão. Aproximadamente R$ 20 milhões foram apreendidos em veículos.
Na fundamentação, o juiz destaca ainda que há “risco concreto e atual à ordem econômica”, com funcionamento de um sistema “similar a uma instituição financeira clandestina”.
O Superior Tribunal de Justiça concedeu habeas corpus aos investigados ao identificar “flagrante ilegalidade” nas prisões temporárias.
Segundo a decisão que agora decretou as preventivas, a medida é necessária para “resguardar a ordem pública e a ordem econômica e estancar a continuidade desse mecanismo financeiro paralelo”.
O magistrado também apontou que a organização possui “capacidade organizacional apta à sua rápida recomposição e reativação imediata das atividades”, reforçando o risco de continuidade delitiva.
Segundo a apuração da Polícia Federal, MC Ryan SP utilizava empresas para misturar receitas legítimas com recursos de apostas ilegais e rifas digitais, além de transferir patrimônio para terceiros como forma de blindagem.
A lavagem de dinheiro ocorria por meio da compra de imóveis, veículos de luxo, joias e outros ativos de alto valor.
Outro ponto destacado na decisão é que a investigação está em fase crítica. Para o juiz, os investigados soltos poderiam “manipular provas digitais ou ocultar ativos financeiros”.
As investigações da Polícia Federal devem prosseguir para apurar a extensão do esquema. Segundo a decisão, trata-se de uma “estrutura organizada, estável e com divisão de tarefas”, voltada à lavagem de capitais em larga escala.
A investigação tramita sob sigilo e ainda busca identificar novos envolvidos e a destinação final dos recursos ilícitos.
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