O dia 23 de abril é dedicado a São Jorge, no calendário católico, e dia de Ogum em religiões de matrizes africanas. Porém, a figura do santo e orixá vai muito além da religião. No futebol, ele se tornou um símbolo cultural e se manifesta tanto na identidade de clubes quanto na forma como torcedores vivem sua paixão pelo futebol.
A ligação entre São Jorge e o futebol é tão forte que diversos clubes ao redor do mundo utilizam símbolos associados ao santo em seus escudos, cânticos e identidade visual.
Quem foi São Jorge e como virou símbolo de força
Conhecido historicamente como Jorge da Capadócia, o santo teria sido um militar romano que viveu no século III. Ele ficou conhecido por sua fé cristã e por se recusar a abandoná-la durante perseguições do Império Romano. Com o tempo, sua história foi incorporando elementos simbólicos, como a famosa imagem do cavaleiro que derrota um dragão, uma representação do bem vencendo o mal.
Essa figura de coragem e proteção ajudou a consolidar São Jorge como um dos santos mais populares do mundo, principalmente entre comunidades que valorizam resistência e superação.
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A relação com o Corinthians e a fé nas arquibancadas
No Brasil, nenhum clube representa tão bem essa conexão quanto o Corinthians. A relação começou ainda nos anos 1920, quando o time adquiriu o terreno que daria origem ao Parque São Jorge, na zona leste de São Paulo.
Com o passar do tempo, o vínculo deixou de ser apenas histórico e se tornou espiritual. O santo passou a ser tratado como padroeiro do clube, com presença em símbolos, rituais e até no cotidiano da torcida. A fé ganhou ainda mais força durante o longo período sem títulos entre 1954 e 1977, quando os torcedores recorreram à devoção como forma de manter a esperança.
Essa conexão com o santo também aparece no próprio escudo do Corinthians. No Brasil, São Jorge é frequentemente associado a Ogum, orixá das religiões afro-brasileiras ligado à guerra, proteção e abertura de caminhos. Esse sincretismo religioso influenciou diretamente a identidade visual do clube. Isso se deve ao fato de o artista Orfeu Domingues Alves Maia, responsável pela modernização do escudo em 1979, ter se inspirado no chamado “ponto riscado de Ogum”.
Hoje, essa conexão é visível em práticas como a entrada da imagem de São Jorge antes das partidas e na presença do santo em bandeiras e cânticos.
A presença de São Jorge nos clubes europeus
A forte presença de São Jorge no futebol não se limita ao Brasil. Na Europa, ela aparece principalmente em símbolos históricos. O Barcelona, por exemplo, carrega a cruz do santo em seu escudo, o que reflete a tradição da cidade de Barcelona, onde ele é padroeiro.
Tanto que, entre os anos de 2022 e 2023, uma das camisas do clube contou com o desenho da cruz de São Jorge.
Na Itália, a cidade de Gênova possui a cruz de São Jorge como símbolo marítimo e militar, e o uso acontece desde a Idade Média. Os clubes da cidade, Genoa e Sampdoria, possuem a cruz do santo em toda a identidade visual, escudos e uniformes. Além disso, o famoso clube da cidade de Milão, Milan, também utiliza o símbolo em seu escudo.
Já na Inglaterra a relação com o santo é ainda mais significativa. Isso porque ele está associado à formação do Estado. São Jorge é considerado o padroeiro nacional desde a Idade Média, durante às Cruzadas, e, dessa forma, passou a ser ligado à proteção militar. Hoje em dia, a cruz vermelha sobre o fundo branco é a bandeira do país.




