Quando Marrocos alcançou a semifinal da Copa do Mundo do Catar, em 2022, muita gente tratou a campanha como uma das maiores zebras da história do torneio. Quatro anos depois, a campanha histórica dos Leões do Atlas é vista cada vez menos como uma surpresa e cada vez mais como o resultado de um planejamento consistente, desenvolvido ao longo de anos dentro e fora de campo.
Primeira seleção africana a chegar entre as quatro melhores de uma Copa do Mundo, Marrocos eliminou Espanha e Portugal antes de ser superado pela França. A campanha histórica colocou o país no centro das atenções do futebol mundial, mas os investimentos que sustentaram aquele desempenho começaram antes de a bola rolar no Catar.
Um dos principais símbolos dessa transformação é o Complexo Mohammed VI de Futebol, inaugurado em 2009 como academia e expandido em 2019 na cidade de Salé, na região metropolitana de Rabat, no Marrocos. Considerado um dos centros de treinamento mais modernos da África, o local foi projetado para receber as seleções nacionais e fortalecer o desenvolvimento de atletas desde as categorias de base. A estrutura faz parte de uma estratégia da Federação Real Marroquina de Futebol para elevar o nível técnico do país e criar condições semelhantes às encontradas nas principais potências do esporte.
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Outro fator decisivo para a ascensão marroquina foi a capacidade de atrair talentos da diáspora. Muitos dos jogadores que defenderam o país na campanha histórica de 2022 nasceram na Europa, filhos ou netos de imigrantes marroquinos. A federação intensificou o trabalho de aproximação com esses atletas, convencendo-os a representar as origens de suas famílias em vez das seleções dos países onde nasceram.
Um dos principais nomes da seleção marroquina e referência da geração que fez história no Catar, Achraf Hakimi, é o exemplo mais conhecido da estratégia adotada pela federação. Nascido em Madri, na Espanha, o lateral-direito optou por defender o país de origem de seus pais e se tornou um dos símbolos do crescimento do futebol marroquino. Casos semelhantes são os de Brahim Díaz, nascido em Málaga, na Espanha, e de Noussair Mazraoui, natural de Leiderdorp, nos Países Baixos. Juntos, eles representam uma política que transformou a geracão marroquina em uma das principais forças da seleção
Ao mesmo tempo, o futebol local passou por um processo de fortalecimento. O crescimento da estrutura esportiva, a valorização das categorias de base e a profissionalização do ambiente futebolístico contribuíram para consolidar um projeto que hoje coloca Marrocos sob os holofotes do futebol mundial.
O reconhecimento desse avanço vai além das quatro linhas. Em dezembro de 2024, a FIFA confirmou Marrocos como um dos anfitriões da Copa do Mundo de 2030, ao lado de Espanha e Portugal. Será a primeira vez que o país sediará partidas de um Mundial, consolidando uma trajetória de crescimento que começou muito antes da histórica campanha no Catar.
Agora, diante de mais uma Copa do Mundo e prestes a enfrentar o Brasil, Marrocos carrega uma realidade diferente daquela de 2022. A seleção que surpreendeu o mundo há quatro anos já não pode mais ser considerada uma azarã.
Hoje, os Leões do Atlas colhem os frutos de um trabalho construído ao longo de anos e mostram que a histórica campanha no Catar foi muito mais do que uma surpresa passageira: foi a consolidação de um projeto que transformou o país em uma referência do futebol africano e em uma força cada vez mais relevante no cenário internacional.
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