O queniano Sebastian Sawe estabeleceu novo recorde mundial ao completar a Maratona de Londres em 1h59min30s. A prova foi disputada neste domingo (26/04) na capital britânica. Sawe tornou-se o primeiro atleta a quebrar a barreira das duas horas em uma maratona oficial.
O resultado representa a quebra de uma marca considerada histórica no atletismo mundial. A conquista combinou volume elevado de treinos, equipamento tecnológico avançado e planejamento nutricional específico.
O treinador Claudio Berardelli revelou ao jornal inglês “The Guardian” que o atleta manteve carga intensa de preparação. “Nas últimas seis semanas, ele tem feito uma média de 200 quilômetros ou mais por semana, tendo atingido um pico de 241 quilômetros”, afirmou.
A performance em Londres sucedeu uma tentativa anterior em Berlim, disputada em setembro de 2025. O calor intenso impediu que Sawe demonstrasse seu potencial naquela ocasião. Berardelli percebeu sinais de que um resultado excepcional poderia ocorrer ao observar a condição física do corredor antes da prova londrina.
“Eu sabia que ele estava em excelente forma para Berlim, mas não conseguiu expressar-se devido às condições. Mas quando comecei a vê-lo a correr da mesma forma que corria antes de Londres, pensei: ‘Ei, pode ser que aconteça algo especial.'”
Tecnologia e nutrição como fatores determinantes
Sawe utilizou o modelo Adidas Pro Evo 3, primeiro tênis de corrida com menos de 100 gramas. As “supersapatilhas” são equipadas com placa de carbono.
O ex-maratonista português António Pinto, recordista nacional dos 42,195 km e tricampeão da Maratona de Londres, comentou à agência Lusa sobre o impacto da tecnologia. “Esta marca foi possível em Londres, com aquela elite, mas estou convencido que, estes atletas que fizeram abaixo das duas horas, numa das maratonas mais rápidas, como Chicago, Roterdão, Berlim ou Valência, ainda faziam menos um minuto ou dois. A diferença é que Londres tem os atletas que quer e que as outras não têm”, disse.
Pinto detalhou o funcionamento dos calçados com placa de carbono. “Quanto mais rápido se correr, mais impulsão dá, ou seja, se já têm um bom ritmo, ainda vão ter melhores resultados”, afirmou.
A estratégia nutricional foi planejada para otimizar o desempenho. Sawe consumiu géis de carboidrato durante a prova para manter os níveis de energia. O café da manhã antes da largada incluiu pão com mel, combinação considerada ideal por oferecer digestão rápida e energia imediata.
Outros dois corredores africanos também registraram tempos abaixo de duas horas na mesma prova. O queniano Yomif Kejelcha terminou em segundo lugar, com 1h59min41s. O ugandês Jacob Kiplimo ficou em terceiro, com 2h00min28s. A edição consolidou-se como uma das mais rápidas da história das maratonas.
Sawe reconheceu a dimensão do momento ao The Guardian. “Tive coragem para continuar a dar o meu melhor, mesmo com um ritmo tão acelerado”, disse o atleta. “Não me senti incomodado porque estava preparado para isso. O público ajudou-me imenso, pois estava a torcer, a gritar o meu nome e a transmitir-me força. O recorde mundial de hoje também se deve a eles.”
Berardelli considera que o atleta ainda não atingiu seu auge. “O Sebastian ainda não atingiu o seu potencial máximo. Foi apenas a sua quarta maratona; se pensarmos nas adaptações a longo prazo, que são um processo que requer tempo, acredito que o Sebastian ainda não chegou a esse ponto.”




