A desaprovação ao governador Romeu Zema (Novo) cresceu 10% em dois anos, chegando ao patamar de 41% em abril de 2026, segundo a Quaest. Embora a rejeição se encontre em patamares semelhantes entre os públicos masculino (42%) e feminino (41%), o maior índice de queda na popularidade de Zema registra-se na população mais jovem, entre os 16 e os 34 anos, ultrapassando a média geral (46%).
A avaliação predominante dos mineiros em relação ao governo Zema é a de uma gestão regular (36%), seguida pela parcela do eleitorado que a considera positiva (32%). Enquanto isso, a desaprovação está em torno de 26%.
Uma grande percentagem (44%) das pessoas que responderam a pesquisa da Quaest disse preferir que o próximo governo mude totalmente a forma de gerir o estado. De fato, 49% dos entrevistados afirmaram que o governador não merece eleger um sucessor.
O que explica a insatisfação com Romeu Zema?
O segundo mandato do governador tem sido marcado pelo crescimento da dívida pública, que ultrapassou os R$ 200 bilhões no final do ano passado. Em 2026, um relatório da Secretaria de Estado de Fazenda (SEF-MG) constatou que o estado começaria o ano com um saldo negativo de R$ 11 bilhões.
Outro ponto de tensão em Minas foi a tentativa de privatização da companhia de água e esgotos da região, a Copasa. Em abril deste ano, o governador Mateus Simões (PSD) avançou com a proposta do governo e apresentou um manual prévio para a seleção de investidores interessados em adquirir 30% da companhia.
Além disso, em março de 2024, Zema cortou R$ 100 milhões do orçamento da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), o que representou uma redução de 25% na verba da instituição e o cancelamento de 500 bolsas do programa de monitoria.
No ano seguinte, em 2025, houve denúncias de colapso no atendimento público em Belo Horizonte, com UTIs encerradas por falta de equipa no Hospital Júlia Kubitschek e a suspensão de atendimentos no Risoleta Neves.
Fiel na Balança: mais velhos e bolsonaristas
Enquanto os mais jovens e progressistas querem mudanças no governo de Minas, os mineiros com mais de 60 anos continuam fiéis à gestão de Romeu Zema, que regista a aprovação mais alta entre os grupos etários: 59%. Ainda assim, se comparado à sondagem da Quaest realizada em 2024, até mesmo esse grupo contabilizou uma queda de 10% na avaliação positiva.
Além disso, a aprovação entre os grupos de direita bolsonarista e direita não bolsonarista permanece em patamares elevados, com 68% e 75% de aprovação, respetivamente. De fato, como a Quaest e diversos analistas políticos têm apontado, o peso das eleições de 2026 recai no eleitorado independente, aquele que não se posiciona favoravelmente nem à direita nem à esquerda.
Em Minas, não é diferente. Dentro deste grupo, aproximadamente metade aprova e a outra metade desaprova a gestão do Partido Novo no governo do estado. Nessa parcela, a vontade de mudança radical ainda é alta (49%), apesar de uma percentagem de 34% defender que alguns pontos da gestão Zema deveriam permanecer.




