O estado de São Paulo registrou aumento expressivo nos casos de feminicídio e nas mortes decorrentes de intervenção policial nos três primeiros meses de 2026. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública e o levantamento pelo Instituto Sou da Paz e apontam para o pior cenário desde o início da série histórica, em 2018.
Entre janeiro e março deste ano, foram registrados 86 casos de feminicídios, o maior número já contabilizado para o período. O volume representa alta de 41% em relação ao mesmo trimestre de 2025 e cerca de 72% na comparação com 2022 . Na prática, uma mulher foi morta vítima desse tipo de crime a cada 25 horas no estado.
O crescimento em São Paulo supera a média nacional. Enquanto o Brasil registrou aumento de cerca de 9% nos casos entre 2022 e 2025, o estado teve alta de aproximadamente 43% no período.
Os dados mostram que o aumento não ocorre de forma homogênea. O interior paulista concentra o crescimento mais acentuado, com 60 casos registrados no primeiro trimestre. Uma alta de 93,5% em relação a 2022 e de 76,5% na comparação com 2025 .
Na capital, o cenário também preocupa: apesar da estabilidade na comparação com o ano passado, o crescimento chega a quase 143% em relação a 2022. Já na Grande São Paulo houve leve queda no número de casos no período recente .
Além dos feminicídios, outros indicadores de violência contra a mulher também seguem em alta. Os registros de lesão corporal dolosa cresceram 47% entre 2022 e 2026, totalizando mais de 19 mil ocorrências no trimestre. Casos de estupro de vulnerável também aumentaram 22% no mesmo intervalo .
Outro dado que chama atenção é o descumprimento de medidas protetivas de urgência, que cresceu quase 32% em relação ao ano passado. Só em março, foram 1.083 registros, o maior número mensal já registrado, equivalente a 1 caso a cada 41 minutos.
Letalidade policial também cresce
Em paralelo, o estado também registrou aumento nas mortes decorrentes de ações policiais.
No primeiro trimestre de 2026, o número de pessoas mortas por policiais em serviço cresceu 8,3% em relação ao mesmo período de 2025. Já na comparação com 2022, o aumento é de 93,2%, passando de 74 para 143 casos .
As mortes cometidas por policiais fora de serviço também subiram 21,4% no último ano .
Na capital paulista, o crescimento é ainda mais acentuado: alta de 35% em relação a 2022, com 60 mortes registradas no primeiro trimestre de 2026.
Especialistas apontam que o cenário reflete desafios na política de segurança pública e no controle do uso da força. Segundo o Instituto Sou da Paz, o aumento da letalidade e da violência indica a necessidade de reforço em medidas preventivas, qualificação do atendimento às vítimas e monitoramento de agressores.
O que diz o governo
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública afirma que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade e destaca a ampliação da rede de proteção.
O estado conta atualmente com 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e 173 salas para atendimento remoto, além da previsão de novas unidades. Também foram reforçados os efetivos policiais e ampliado o uso de ferramentas como o aplicativo SP Mulher Segura, que permite registro de ocorrências e acionamento do botão do pânico.
A SSP informou ainda que mais de 2 mil homens foram presos nos últimos três meses por crimes relacionados à violência contra mulheres, em ações como a Operação Damas de Ferro III.
Sobre a letalidade policial, a secretaria afirma que todos os casos são investigados com acompanhamento das corregedorias e do Ministério Público, e que o estado tem investido em treinamento, protocolos operacionais e equipamentos de menor potencial ofensivo. O uso de câmeras corporais também foi ampliado, com previsão de chegar a 15 mil unidades em operação.




