Polícia desmascara falsa filantropia usada por traficantes no DF

Criminosos promoviam festas e ações sociais para comprar o silêncio da comunidade enquanto atuavam no tráfico de drogas

Por Henrique Carmo | Atualizado em
Foto: Ascom PCDF

Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal acendeu o alerta para um tipo de crime que mistura tráfico de drogas com falsa ajuda à comunidade. Na manhã desta quarta-feira (6), cerca de 200 policiais foram às ruas de Samambaia e Ceilândia para desarticular uma organização criminosa que se escondia atrás de ações assistencialistas.

Batizada de Operação Eiron, a ação cumpriu 39 mandados judiciais, sendo 14 de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão. O grupo atuava principalmente na região da QR 421, em Samambaia Norte, e usava festas comunitárias e doações como estratégia para ganhar a confiança dos moradores e evitar denúncias à polícia.

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Segundo as investigações, os criminosos financiavam eventos como festas do Dia das Mães e do Dia das Crianças com dinheiro do tráfico. A ideia era parecer benfeitores da comunidade, enquanto mantinham o controle do território e uma rotina intensa de venda de drogas.

O esquema incluía a comercialização de diversos tipos de entorpecentes, como maconha, cocaína, crack, haxixe e lança-perfume. As vendas aconteciam até pela internet. Em redes sociais, o grupo divulgava verdadeiros “cardápios” de drogas. As negociações eram feitas por aplicativos de mensagem, com entregas no sistema delivery. Para despistar a polícia, os produtos eram transportados em embalagens de fast food.

A lavagem do dinheiro também fazia parte do esquema. Estabelecimentos aparentemente comuns, como padarias, quiosques e distribuidoras de bebidas, eram usados para esconder drogas e movimentar o lucro ilegal. Ainda segundo a polícia do DF, em um dos locais, a mesma balança usada para pesar pães servia para dividir os entorpecentes.

Cerca de 200 policiais participaram da operação no DF – Foto: Ascom PCDF

Violência

Apesar do discurso de ajuda e empreendedorismo, a violência era uma marca do grupo. Policiais flagraram integrantes armados, inclusive com armas de grosso calibre. Em um dos endereços ligados à organização, um usuário de drogas foi espancado de forma brutal. Durante as investigações, um dos suspeitos foi encontrado morto no Lago Paranoá, em um episódio que ainda é apurado.

Os investigados devem responder por tráfico de drogas, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem passar de 35 anos de prisão.

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