Um presidente impeachmado e outros dois acusados pelo Ministério Público de usar o dinheiro do Corinthians para gastos pessoais. Neste contexto, o Alvinegro acumula cinco pedidos de intervenção judicial. O mais recente, feito nesta segunda-feira (04/05), é referente à aprovação das contas de 2025 do clube. Parte da torcida até pede que a Justiça intervenha no Parque São Jorge.
Durante o Papo de Craque 1º Tempo, a equipe da TMC entrevistou Romeu Tuma Júnior, presidente licenciado do Conselho Deliberativo do Corinthians, que enxerga motivos para uma intervenção judicial no clube. “Eu defendi no dia 9 (de março) que não via motivo (para uma intervenção judicial). Hoje, não dá para falar isso”, disse – veja a entrevista completa abaixo.
Tuma, assim como o MP-SP, usou a situação da aprovação do balanço financeiro de 2025 como motivo para essa intervenção judicial, aproveitando para atacar o presidente Osmar Stabile. “O presidente está comandando o Conselho indiretamente. Ele queria fazer conflito com o Conselho. Ele não responde demanda dos conselheiros. As comissões convocam funcionários e ele não deixa ir. Ele não responde ofícios da comissão!”, reclamou o dirigente licenciado.
“E aí depois aprovam as contas com ressalva. É óbvio que nesse aspecto você começa a jogar o clube numa intervenção (judicial), porque se os poderes não têm independência e não conseguem fazer a atuação de fiscalização e ainda brecam a reforma estatutária, você vai acabar caindo numa intervenção, ainda que seja parcial”, emendou.
O Ministério Público de São Paulo, por meio do promotor Cassio Conserino, apontou a necessidade da intervenção judicial por dois motivos: a não apresentação das ressalvas do Conselho Deliberativo na aprovação das contas de 2025 e a atuação do Conselho Fiscal nese processo.
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“Pega o parecer do Conselho Fiscal. O presidente está afastado pela Comissão de Ética e participou da deliberação. Começa a ser motivo para uma intervenção judicial, claro”, destacou o presidente licenciado. O Conselho Fiscal é o primeiro responsável por deliberar sobre as contas do clube. Haroldo Dantas, afastado pela Comissão de Ética por sua ligação com Osmar Stabile, participou de toda a reunião.
Na visão de Romeu Tuma Júnior, o caminho mais fácil para o Corinthians avançar nas questões administrativas é completar a reforma do Estatuto. Recentemente, o Conselho Deliberativo reprovou o texto-base, mas aprovou alguns tópicos específicos, que deverão ser votados em Assembleia Geral.
“Não é que as pessoas não conseguem se organizar; uma parte das pessoas não querem se organizar. Com esses mecanismos que já provaram que não funcionam, as pessoas conseguem fazer conxavos e usam isso para cooptar parcerias indevidas para se garantir nos modelos atuais. Conselheiro que põe filho para trabalhar (no clube); para garantir que o cara continue trabalhando, você faz conxavo para apoiar esse ou aquele. A questão da mudança estatutária não está vinculada ao mérito das questões, está vinculada aos interesses pessoais da maioria lá dentro“, explicou na sequência.




