O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita a Casa Branca nesta quinta-feira em meio a tensões comerciais com os Estados Unidos. O encontro com o presidente Donald Trump busca reaproximar os dois líderes, evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros e abrir espaço para negociações em áreas estratégicas, como minerais críticos e combate ao crime organizado.
De acordo com informações da Reuters, integrantes do governo brasileiro avaliam que, apesar das incertezas, a reunião pode ajudar a reduzir riscos comerciais. No ano passado, Trump chegou a impor tarifas de até 50% sobre exportações do Brasil, posteriormente revertidas em grande parte após decisões judiciais e pressões internas nos EUA.
Ainda assim, permanece uma tarifa adicional de 10% sobre produtos brasileiros, com validade até julho, além do temor de novas sanções ligadas a investigações comerciais conduzidas por Washington. Há também divergências em temas como comércio digital e tarifas sobre produtos como o etanol.
Outro ponto de atrito envolve acusações dos EUA sobre suposta origem ilegal de parte da madeira exportada pelo Brasil — alegação rejeitada pelo governo Lula, que afirma ter reduzido o desmatamento a níveis históricos.
Na agenda bilateral, os EUA demonstram interesse nas reservas brasileiras de minerais estratégicos, essenciais para a indústria de tecnologia. Apesar disso, autoridades brasileiras consideram improvável a assinatura imediata de acordos.
No campo da segurança, o Brasil tenta evitar que facções como PCC e Comando Vermelho sejam classificadas como organizações terroristas pelos EUA, o que poderia gerar impactos econômicos e jurídicos. Em contrapartida, Lula deve propor o fortalecimento da cooperação no combate ao crime organizado, lavagem de dinheiro e tráfico de armas.
A expectativa no governo brasileiro é de que o encontro sirva ao menos para manter o diálogo aberto e reduzir o risco de novas medidas comerciais contra o país.
Por Reuters




