Mojtaba Khamenei emitiu mensagem escrita direcionada aos países da região do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã nesta quinta-feira (30/04). O líder supremo do Irã declarou que “atores estrangeiros” não pertencem ao Golfo Pérsico, exceto “nas profundezas de suas águas”, conforme divulgação da mídia estatal iraniana. A declaração ocorre em meio ao impasse entre Irã e Estados Unidos.
Khamenei assumiu a liderança do país após o assassinato de seu pai, Ali Khamenei, há mais de sete semanas. O ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel matou o antigo líder supremo em Teerã no dia 28 de fevereiro de 2026.
Segundo a televisão estatal do Irã, Khamenei afirmou: “Nós e nossos vizinhos do outro lado do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã compartilhamos um destino comum, e atores estrangeiros — que vêm de milhares de quilômetros de distância com intenções gananciosas — não têm lugar aqui, exceto nas profundezas de suas águas”.
O líder supremo iraniano indicou que o Irã entrou em um novo capítulo da “ordem regional e global”. Ele afirmou que o país “salvaguardaria” suas capacidades nucleares e de mísseis. Esses temas são centrais em qualquer negociação com os Estados Unidos.
Tensão entre Irã e Estados Unidos
A declaração surge em contexto de crescente tensão entre os dois países. Fontes indicam que o presidente americano Donald Trump está preparando um bloqueio de longo prazo aos portos iranianos. A medida é considerada a principal ferramenta para forçar o Irã a retomar negociações visando encerrar a guerra.
A mensagem foi divulgada dias após o secretário de Estado americano, Mark Rubio, ter afirmado que Washington possui indícios de que o aiatolá está vivo. Rubio questionou se ele possui “as credenciais clericais para de fato atuar como líder supremo”.
Trump classificou a escolha de Mojtaba Khamenei como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo. Trump pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.
Os iranianos ainda não viram nem ouviram Mojtaba Khamenei. Ele emitiu diversas mensagens escritas desde que assumiu a liderança há mais de sete semanas. Não há informações sobre a localização exata do líder supremo.
Balanço do conflito
Mais de 1.900 civis morreram no Irã desde o início da guerra. Os dados são da Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, com sede nos Estados Unidos. A Casa Branca registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
No Líbano, mais de 2.500 pessoas morreram desde que o conflito se expandiu para o território libanês. Os Estados Unidos alegam ter destruído dezenas de navios iranianos. O país também afirma ter destruído sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares. Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano foram mortas no ataque de 28 de fevereiro.
Em retaliação ao ataque que matou Ali Khamenei, o regime dos aiatolás realizou ataques contra diversos países da região. Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã foram alvos. As autoridades iranianas afirmam que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
O Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que afirma ser alvo do Hezbollah no Líbano.
Mojtaba Khamenei foi eleito por um conselho iraniano após a morte de grande parte da liderança do país. Especialistas apontam que Mojtaba Khamenei não fará mudanças estruturais. Eles afirmam que ele representa continuidade da repressão no país.




