PF diz que Ciro Nogueira era receptor de “vantagens indevidas” de dono do Master

Senador teria “instrumentalizado mandato parlamentar em favor de interesses privados” de Daniel Vorcaro, segundo relatório da corporação

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(Foto: Arquivo/Agência Brasil)

A Polícia Federal apontou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) como receptor central de “vantagens indevidas” oferecidas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A identificação está em relatório da corporação que embasou a quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (07/05). Mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra o parlamentar.

Os investigadores concluíram que Nogueira “instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados” de Vorcaro. O registro consta no relatório da PF anexado à decisão judicial que autorizou as diligências.

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A investigação detectou o recebimento sistemático de benefícios pelo senador. As vantagens incluem pagamentos mensais, compra de participação societária com desconto significativo, pagamento de contas pessoais e uso de bens de luxo. Há indícios de que o parlamentar também recebeu valores em espécie.

A PF destaca uma emenda apresentada por Nogueira para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A proposta teria sido elaborada pela assessoria do Banco Master.

O texto foi enviado a Vorcaro e depois entregue ao senador em sua casa. Ainda de acordo com a PF, a proposta apresentada ao Senado reproduziu integralmente a versão encaminhada pelo banco.

Após a publicação da emenda, o banqueiro teria afirmado que o conteúdo “saiu exatamente como mandei”, segundo trecho citado na decisão.

Leia mais: Ciro Nogueira é alvo de busca da PF em nova etapa da Operação Compliance Zero

Também há notícia de circulação, a partir de sua residência, de minutas de outros projetos legislativos de interesse do particular, posteriormente remetidas ao gabinete parlamentar, informou a PF.

Em novembro de 2023, Vorcaro teria ordenado a retirada de envelopes da casa do senador. O material conteria minutas de projetos de lei de interesse privado. Os documentos foram levados a “escritório” indicado pelo banqueiro para revisão. Depois de processados, teriam sido entregues a servidor ligado ao parlamentar.

Defesa de Ciro Nogueira

A defesa negou o envolvimento do senador em qualquer atividade ilícita e criticou o que chamou de “medidas investigativas graves e invasivas” durante a operação.

“A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar. Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos”, afirmaram os advogados do senador.

A nota é encabeçado por Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido por Kakay. E conta também com as assinaturas de Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane de Carvalho, Álvaro Chaves e Ananda França.

“Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, completam os advogados, no comunicado.

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