A Polícia Federal incluiu Raimundo Nogueira, irmão do senador Ciro Nogueira, entre os alvos da mais recente fase da operação Compliance Zero. Agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão em imóveis vinculados a Raimundo nesta quinta-feira (07/05). Ele surge como figura inédita nas investigações do Caso Master.
A corporação aponta Raimundo como “agente de sustentação formal e operacional da estrutura empresarial vinculada ao núcleo familiar de Ciro Nogueira”. Essa atribuição motivou sua inclusão nas diligências policiais.
Documentos analisados pelos investigadores revelam que Raimundo assumiu formalmente a administração da CNLF Empreendimentos Imobiliários em dezembro de 2024. Contudo, registros contratuais de abril do mesmo ano já traziam seu nome.
O ministro André Mendonça destacou em decisão judicial: “embora apenas em 18.12.2024 tenha passado a figurar como administrador formal da CNLF Empreendimentos Imobiliários, a autoridade policial verificou que seu nome já constava do contrato celebrado em 4.4.2024”. Foi neste contrato que se estruturou a aquisição, pela CNLF, de 30% da Green Investimentos, evidenciando atuação anterior e relevante na estruturação do negócio.
A CNLF comprou 30% da Green Investimentos. Investigadores tratam a Green como parte do aparato operacional usado para transferir valores ilícitos e esconder bens no esquema do Master.
O magistrado determinou que Ciro Nogueira se abstenha de qualquer comunicação com pessoas investigadas no caso. Raimundo integra a lista de indivíduos com quem o senador está impedido de manter contato.
Defesa de Ciro Nogueira
A defesa negou o envolvimento do senador em qualquer atividade ilícita e criticou o que chamou de “medidas investigativas graves e invasivas” durante a operação.
“A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar. Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos”, afirmaram os advogados do senador.
A nota é encabeçado por Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido por Kakay. E conta também com as assinaturas de Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane de Carvalho, Álvaro Chaves e Ananda França.
“Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, completam os advogados, no comunicado.




