A Polícia Federal executou mandado de busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) nesta quinta-feira (07/05). A operação integra a quinta fase da Compliance Zero, que apura crimes envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Nogueira preside o Progressistas desde 2013.
A investigação alcançou pela primeira vez o núcleo político do caso. Agentes federais cumpriram o mandado tendo como alvo o parlamentar piauiense, que comanda nacionalmente o PP.
Nascido em Teresina em 21 de novembro de 1968, Nogueira é formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
O político iniciou a carreira no Piauí. Conquistou quatro mandatos consecutivos como deputado federal antes da eleição para o Senado em 2011. Foi reeleito para a Casa em 2018. O mandato atual termina no fim deste ano.
O senador comanda o PP nacionalmente desde 2013. Participou de articulações em diferentes governos e ampliou a presença partidária em negociações no Legislativo.
Entre 2021 e 2022, ocupou o cargo de ministro-chefe da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro (PL). Tornou-se um dos principais articuladores políticos da gestão.
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Nos últimos anos, consolidou-se como liderança de oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado. Mantém atuação em debates sobre economia e articulação partidária.
A defesa do senador divulgou nota informando que ainda não teve acesso aos motivos da operação. Por essa razão, não faria comentários sobre o caso neste momento.
A Polícia Federal não divulgou os motivos específicos que levaram à inclusão do parlamentar como alvo da operação. Também não há detalhes sobre a suposta ligação de Nogueira com as investigações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro.
Defesa de Ciro Nogueira
A defesa negou o envolvimento do senador em qualquer atividade ilícita e criticou o que chamou de “medidas investigativas graves e invasivas” durante a operação.
“A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar. Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos”, afirmaram os advogados do senador.
A nota é encabeçado por Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido por Kakay. E conta também com as assinaturas de Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane de Carvalho, Álvaro Chaves e Ananda França.
“Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, completam os advogados, no comunicado.




