A Polícia Federal prendeu quatro pessoas em Goiás nesta quinta-feira (07/05). Elas são suspeitas de integrar uma organização criminosa especializada em migração ilegal para os Estados Unidos. Entre as detidas está Maria Helena de Sousa Netto Costa, apontada como chefe de um dos grupos investigados.
O grupo liderado por Maria Helena teria movimentado R$ 45 milhões, segundo informações da PF. A investigação sobre ela começou em 2022. Um grupo de migrantes foi interceptado no aeroporto de Congonhas e mencionou o nome dela durante depoimento.
Maria Helena foi presa em sua residência, em Goiânia, conforme informou o delegado Charles Lemes. Ela é sogra do governador Daniel Vilela. O governador e sua esposa não são alvos da investigação, segundo a Polícia Federal.
Outras três pessoas foram presas em Goiânia sob suspeita de envolvimento no esquema. A PF não divulgou as identidades desses detidos.
A operação investiga cinco grupos distintos. Somados, eles movimentaram R$ 240 milhões entre 2018 e 2023, conforme estimativa da polícia. Os valores foram obtidos através da cobrança de US$ 20 mil de cada pessoa que buscava ingressar ilegalmente nos Estados Unidos.
A investigação aponta que o número de vítimas pode ultrapassar 600 pessoas ao longo de mais de 20 anos de atuação. No Amapá, dois chefes da organização não foram localizados. Seus nomes foram incluídos na lista da Interpol, conforme relatou a Polícia Federal.
Os suspeitos respondem por investigação pelos crimes de promoção de migração ilegal, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A reportagem tentou contato com a defesa de Maria Helena. Não obteve retorno até a última atualização desta matéria.
Estrutura da organização
As investigações concentraram-se principalmente no período de 2018 a 2023. A polícia apurou que os grupos atuavam de forma estruturada e organizada.
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Os grupos são suspeitos de planejar toda a logística das viagens. O planejamento incluía desde a saída do Brasil até a chegada aos Estados Unidos, passando por países como México e Panamá.
Os grupos mantinham integrantes em outros estados brasileiros e no exterior, segundo a Polícia Federal. Esses membros eram responsáveis por suporte logístico, recepção de migrantes e intermediação financeira das operações ilícitas. A estrutura permitia que a organização operasse em diferentes pontos da rota migratória.
As investigações identificaram o uso de empresas de fachada, laranjas e esquemas de lavagem de dinheiro. Esses mecanismos eram utilizados para ocultar e disfarçar a origem ilícita do dinheiro movimentado pela organização.




