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Especialista em inovação e economia criativa. Em sua coluna, explora as transformações da creator economy, novos formatos de mídia e as estratégias comerciais que estão moldando o futuro da comunicação digital.

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Casa CazéTV: o topo da pirâmide onde a atenção digital vira valor

Projeto estreante mostra como comunidades e eventos ao vivo se tornam motores econômicos, e superam o conteúdo como ativo na nova mídia

Por Eduardo Mendes | Atualizado em
(Foto: Divulgação)

Com duas opções de ingressos cujas sessões remontam à setorização clássica dos estádios brasileiros nas décadas passadas, a CazéTV iniciou na quarta a venda da Geral e Cativa para sua casa de marca durante a Copa no Rio de Janeiro e São Paulo.

A chamada para a pré-venda já havia começado no último dia 25. Fiz minha inscrição há quase dois meses para receber a comunicação e acompanhar o case inédito.

Coca-Cola, Mercado Livre, Visa, Itaú, Hyundai, Ifood, Outback, YouTube, Adidas e Hellmann’s são as marcas que constam no e-mail que direciona para Sympla, parceira de ticket.

Nas palavras de Silvia M. Travesso, da LiveMode, a Casa CazéTV deve ser compreendida como um case de construção de comunidade, replicando a experiência interativa da transmissão, e não como uma fan fest.

Logo quando foi anunciada a parceria com a TM1 para criação da Casa, em setembro, escrevi sobre como Casimiro começou seu canal como hub de jogos ao vivo no YouTube, e a expansão para experiências físicas indicava a dissolução das fronteiras do que antes se entendia como mídia.

O artigo se propunha a contextualizar o case dentro da tese de Doug Shapiro. Na visão do analista, o conteúdo se tornou essencialmente um topo de funil para produtos complementares, onde se concentra o valor real.

Fandoms, comunidades, franquias, mercadorias e experiências ao vivo são os verdadeiros motores econômicos. Agora, os 10 patrocinadores do projeto confirmam a máxima de Shapiro de que “toda mídia é marketing”.

Ele também destaca que, apesar da revolução digital na distribuição de mídia, a monetização das novas formas de mídia ainda é significativamente menor do que a da mídia tradicional. Números compartilhados por Shapiro neste artigo publicado no ano passado sinalizam que a TV paga ainda gera 50% mais receita que a Netflix e três vezes mais que o YouTube.

No curto prazo, a importância de cada segmento depende da capacidade de substituição das mídias tradicionais pelas novas e do estágio em que nos encontramos nesse processo de disrupção. A profecia de Shapiro é de que esses negócios precisarão se reorganizar em torno de complementos.

Recentemente, trouxe a pirâmide de monetização apresentada pela IPR.VC, venture capital finlandesa focada em propriedades intelectuais do entretenimento. Baseada em estudo da McKinsey de junho de 2025, o gráfico mostra que vídeos em redes sociais geram US$ 0,25 por hora de consumo, enquanto experiências ao vivo, como esportes e eventos, superam US$ 32.

Na análise que fiz sobre o projeto da Globo com 2026 influenciadores para a Copa, esses dados permitiram mostrar como se constrói um funil de atenção que transforma engajamento de baixo RPU (receita por usuário) em monetização de alto RPU ao longo de um percurso.

A CazéTV sinaliza que ruma para o topo da pirâmide, onde está o maior valor, após um ciclo de quatro anos desde o Mundial de 2022, consolidando uma audiência digital traduzida em mais de 26 milhões de inscritos no YouTube, retroalimentada por um fluxo contínuo de vídeos verticais nas plataformas sociais.

Como ressalta Shapiro, nessa nova lógica, os complementos precisam ser o núcleo da estratégia, da cultura, da estrutura organizacional e da remuneração.

Acredito que a experiência da CazéTV se aproximará do que a NBA House realiza há uma década, criando um case de exportação made in Brasil, conforme mostrei ano passado.

Se igualar, será uma vivência memorável. Quem já esteve na meca itinerante da NBA por três semanas em junho sabe bem do que estou falando.

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