Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

Últimas colunas Últimas colunas de Bruno Rizzi

As escolhas de Michelle redesenham o jogo bolsonarista

Saída do PL Mulher expõe disputa por protagonismo, influência na campanha de Flávio e pelo legado político de Jair Bolsonaro

Por | Atualizado em:
Foto: Reprodução/Instagram/Michelle Bolsonaro
Foto: Reprodução/Instagram/Michelle Bolsonaro

A saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher reforça que a disputa interna com Flávio Bolsonaro permanece ativa e sem sinais de acomodação no curto prazo.

O embate ultrapassa divergências pessoais e envolve uma disputa por influência sobre a campanha presidencial do senador, além da definição de quem exercerá protagonismo no campo político bolsonarista após o enfraquecimento da atuação direta de Jair Bolsonaro.

Siga o canal da TMC no WhatsApp e receba as últimas notícias

Nos bastidores, a avaliação é de que Michelle nunca foi considerada integrante do núcleo histórico do chamado “clã Bolsonaro”. Essa percepção alimenta a preocupação de que, em um eventual governo liderado por Flávio, seu espaço político fosse reduzido, limitando sua atuação a um eventual mandato parlamentar, sem participação efetiva nas decisões estratégicas do governo.

Nesse contexto, a principal reivindicação de Michelle sempre foi ampliar sua influência tanto na condução da campanha quanto na formação de um eventual governo, especialmente na composição da chapa e na definição de cargos estratégicos.

O objetivo seria garantir protagonismo institucional e participação nas principais decisões políticas, sobretudo nas pautas voltadas às mulheres e à assistência social, áreas nas quais consolidou sua atuação durante o período em que presidiu o PL Mulher.

Desde o início das articulações, contudo, Flávio Bolsonaro demonstrou resistência em dividir esse espaço. Ainda assim, o peso político de Michelle entre o eleitorado feminino e evangélico torna improvável que suas demandas sejam completamente desconsideradas.

Ao mesmo tempo, integrantes da pré-campanha de Flávio avaliam que Michelle dificilmente adotaria uma postura de enfrentamento permanente contra a candidatura do enteado, diante do risco de desgaste junto ao próprio eleitorado bolsonarista.

A pré-candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal permanece mantida. Entretanto, caso opte por não disputar as eleições, as restrições políticas que hoje limitam críticas mais contundentes a Flávio tenderiam a desaparecer, ampliando a possibilidade de novos conflitos públicos entre os dois grupos.

Nos últimos dias, voltaram a circular em Brasília rumores sobre supostas imagens de Flávio Bolsonaro em festas promovidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, especialmente após declarações do ex-governador Anthony Garotinho.

Pessoas próximas a Michelle afirmam que existiriam fotografias de Flávio nesses eventos e um áudio em que o senador agradeceria ao “irmão Vorcaro” pela recepção. Até o momento, porém, nenhum desses materiais foi apresentado publicamente.

O que se sabe é que, em 16 de março, o ministro André Mendonça solicitou acesso ao material armazenado na sala-cofre da CPI, que conteria registros privados relacionados a reuniões realizadas por Vorcaro.

A avaliação predominante entre interlocutores é que, caso surjam novos elementos com relevância jornalística, eles tendem a ser divulgados apenas após os procedimentos de checagem e a manifestação dos envolvidos, conforme o protocolo adotado em reportagens anteriores sobre o caso.

Nos bastidores, a leitura é de que Michelle busca consolidar uma trajetória política própria sem provocar uma ruptura definitiva dentro da família Bolsonaro. Embora a preferência de Jair Bolsonaro por Flávio como principal herdeiro político tenha gerado desconforto, a ex-primeira-dama não demonstra disposição para inviabilizar a candidatura do enteado.

Também contribuíram para o agravamento da crise episódios recentes envolvendo ataques nas redes sociais atribuídos por Michelle a Eduardo Bolsonaro, com a suposta anuência de Flávio, além de um episódio ocorrido no Ceará, considerado por seus aliados como o estopim para a deterioração da relação.

Outro fator relevante é a redução da capacidade de Jair Bolsonaro de atuar como mediador dos conflitos familiares, papel que tradicionalmente desempenhava, mas que teria sido limitado em razão de seu estado de saúde.

Michelle mantém interlocução próxima com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e com o ministro André Mendonça, além de cultivar relações políticas com lideranças conservadoras de diferentes partidos, entre elas Damares Alves, Celina Leão, Cristiane Britto e, dentro do próprio PL, Priscilla Costa.

O afastamento da presidência do PL Mulher foi interpretado por parte de seus interlocutores como um gesto que poderia anteceder um distanciamento da vida política. Essa hipótese, contudo, não é considerada a mais provável.

A percepção predominante é que Michelle reconhece o capital político acumulado nos últimos anos e entende que sua permanência na política depende da conquista de um espaço de influência compatível com sua projeção nacional, sem ocupar uma posição subordinada dentro do grupo bolsonarista.

O protagonismo reivindicado por Michelle sempre esteve condicionado à participação efetiva nas decisões estratégicas da campanha e de um eventual governo, em contrapartida ao trabalho desenvolvido à frente do PL Mulher e ao apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. A avaliação entre aliados, porém, é de que esse espaço não vinha sendo assegurado nas negociações internas, contribuindo para o aprofundamento das divergências.

Apesar do desgaste recente, a expectativa entre interlocutores permanece de que Michelle dispute uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal, cenário em que continua sendo considerada uma candidata altamente competitiva.

Ao vivo
São Paulo
Ouça a TMC pelo Brasil
  • 100,1FM São Paulo
  • 101,3FM Rio de Janeiro
  • 100,3FM Curitiba
  • 88,7FM Belo Horizonte
  • 92,7FM Recife
  • 100,1FM Brasília
Notícias que importam para você
Copyright © 2026 CNPJ: 44.060.192/0001-05