O reitor da Universidade de São Paulo, Aluisio Segurado, afirmou nesta sexta-feira (08/05) que a universidade não pretende reabrir as negociações com os estudantes em greve após a ocupação do prédio da reitoria, ocorrida na quinta-feira (07/05), na Cidade Universitária, na zona oeste da capital paulista.
Segundo o reitor, a proposta apresentada pela universidade para reajustar o auxílio permanência é definitiva e compatível com os limites financeiros da instituição. Atualmente, o benefício integral do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Papfe) é de R$ 885, e a USP ofereceu aumento para R$ 912, valor calculado com base na correção inflacionária pelo IPC da FGV. Os estudantes, porém, reivindicam que o auxílio passe a equivaler ao salário mínimo paulista, de R$ 1.804.
“Abrir negociação novamente para uma proposta que já foi apontada como proposta final da universidade, do ponto de vista das suas possibilidades orçamentárias, não nos é possível fazer”, declarou Segurado.
A greve estudantil começou em abril e ganhou força após a paralisação dos servidores técnico-administrativos, que protestavam contra a criação de uma gratificação para docentes. Embora os funcionários tenham encerrado o movimento após acordo com a reitoria, os estudantes decidiram manter a mobilização e ampliaram as reivindicações.
Entre as principais pautas dos grevistas estão o aumento do auxílio permanência, melhorias nos restaurantes universitários, ampliação das políticas de cotas e melhores condições de moradia estudantil.
Ocupação e atuação da PM
A ocupação da reitoria ocorreu durante um ato convocado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE). Vídeos divulgados nas redes sociais mostram estudantes derrubando portões e quebrando vidraças para acessar o hall do prédio.
Na manhã desta sexta-feira (08/05), a universidade confirmou o corte de água e energia elétrica no edifício ocupado. A Polícia Militar do Estado de São Paulo cercou os acessos ao prédio e manteve agentes posicionados nas proximidades para evitar novos avanços da ocupação.
Segundo o DCE, cerca de 500 estudantes participaram da ação. Os manifestantes afirmam que só deixarão o local caso a reitoria aceite retomar o diálogo.
Em nota, a universidade lamentou a “escalada de violência” e afirmou que houve danos ao patrimônio público. Já os estudantes rejeitam acusações de vandalismo e afirmam que o movimento busca garantir direitos ligados à permanência estudantil.
Reitor fala em “agenda externa”
Durante entrevista, Segurado afirmou acreditar que o movimento estudantil estaria sendo influenciado por interesses políticos externos à universidade. O reitor citou a convocação de atos contra o governo estadual e disse ter identificado bandeiras de partidos e movimentos políticos durante a ocupação.
“Há uma outra agenda, externa à universidade, que os estudantes estão querendo levar adiante”, afirmou. O reitor também disse ter acompanhado a invasão “com tristeza e decepção” e criticou a presença de alunos mascarados durante o ato.
Apesar do impasse, Segurado sinalizou abertura para uma eventual redução da tensão após ser informado de que estudantes discutiram em assembleia a possibilidade de deixar o prédio caso as conversas fossem retomadas. “Até agora o que eu estava ouvindo era só intransigência”, declarou.
Histórico da greve
O principal ponto de divergência entre estudantes e reitoria é o reajuste do Papfe, considerado pelos alunos insuficiente diante do custo de vida em São Paulo. Além do auxílio financeiro, estudantes também denunciam problemas estruturais na universidade, como críticas à qualidade da alimentação nos restaurantes universitários e à situação do Hospital Universitário.
A USP afirma investir mais de R$ 460 milhões por ano em políticas de permanência estudantil, incluindo bolsas, moradia, restaurantes universitários e assistência à saúde.
A atual ocupação é a primeira da reitoria desde 2013, quando estudantes permaneceram no prédio por mais de um mês até uma reintegração de posse determinada pela Justiça, com atuação da Polícia Militar.
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