Carolina Sthela Ferreira dos Anjos responde por tentativa de homicídio triplamente qualificado, cárcere privado, calúnia, difamação e injúria. A investigação da Polícia Civil do Maranhão começou após a empresária agredir uma trabalhadora doméstica de 19 anos grávida de cinco meses. A detenção ocorreu na quinta-feira (7) em Teresina. Nesta sexta-feira (8), Carolina Sthela passa por audiência de custódia.
A prisão aconteceu em um posto de gasolina na capital piauiense, próximo à Secretaria de Segurança Pública do Piauí. Carolina Sthela estava hospedada na casa de um familiar e era monitorada pela Polícia Civil do Piauí. Após a detenção, foi transferida para São Luís no mesmo dia.
Na 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy, a empresária prestou depoimento por mais de uma hora. Carolina Sthela não confirmou a autoria de áudios divulgados com supostas confissões das agressões. A Polícia Civil informou que ela solicitou perícia no material.
A trabalhadora doméstica relatou ter sofrido puxões de cabelo, socos e murros. A jovem afirmou que foi derrubada no chão e tentou proteger a barriga durante os ataques.
Motivação das agressões
Carolina Sthela acusou a empregada doméstica de ter roubado um anel. A empresária passou horas procurando o objeto. A joia foi encontrada dentro de um cesto de roupas sujas.
As agressões continuaram mesmo após a localização do anel. A vítima afirmou que foi ameaçada de morte por Carolina Sthela caso contasse à polícia o que havia acontecido.
A empresária declarou à polícia que o anel estava avaliado em R$ 5 mil.
Policial militar envolvido no caso
Michael Bruno Lopes Santos, policial militar, se entregou à polícia na quinta-feira (7). Ele é suspeito de participar das agressões. A Polícia Civil informou que ele seria o homem citado pela empregada doméstica como um dos responsáveis pelas agressões e tortura sofridas por ela, ao lado da empresária.
Em depoimento, o policial militar negou ter agredido a vítima. Michael Bruno Lopes Santos afirmou que conhecia a empresária há seis anos.
Condições de trabalho da vítima
A jovem recebeu R$ 750 por pouco mais de duas semanas de trabalho na casa da empresária. O pagamento foi feito de forma fracionada, por meio de transferências em nome de terceiros. A vítima cumpria jornada diária de quase 10 horas.
A trabalhadora doméstica acumulava funções na residência. Entre as atividades estavam limpar a casa, cozinhar, lavar e passar roupas, além de cuidar de uma criança de seis anos, filho da ex-patroa.
As agressões ocorreram na residência da empresária, localizada em Paço do Lumiar, no Maranhão. O caso é investigado pelo 21º Distrito Policial do Araçagy.
A tentativa de homicídio triplamente qualificado ocorre quando o crime é cometido com três circunstâncias previstas no Código Penal. Entre as qualificadoras que podem ser aplicadas estão motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.
Carolina Sthela afirmou à polícia que está grávida de três meses e enfrenta problemas de saúde, como pressão alta e infecção urinária. A Polícia Civil não confirmou a gestação até o momento.
Augusto Barros, delegado geral da Polícia Civil, informou que o caso segue sob investigação. Outros elementos incluídos no inquérito ainda devem ser analisados nos próximos dias.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão informou que Carolina Sthela foi presa quando tentava fugir. A defesa da empresária nega que ela tentasse fugir.
A autoria dos áudios divulgados com supostas confissões das agressões ainda não foi confirmada. A empresária solicitou perícia no material.




