O ator Juliano Cazarré foi alvo de críticas nas redes sociais após participar do programa GloboNews Debate, exibido nesta terça-feira (12), sobre masculinidade, violência e o papel dos homens na sociedade atual.
Durante a conversa, que também contou com a participação da psicanalista Vera Iaconelli e do consultor em equidade de gênero Ismael dos Anjos, Cazarré afirmou que muitos homens têm sido tratados de forma negativa apenas por serem homens.
“Eu estou falando para os homens e meninos que estão há 20 anos ouvindo que todos eles são tóxicos só pelo fato de serem homens”, declarou o ator.
A discussão ganhou maior repercussão após uma fala de Cazarré sobre violência no Brasil. Ao comentar os índices de criminalidade, ele afirmou que “mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres” e citou números relacionados a homicídios e feminicídios.
A declaração foi imediatamente contestada por Ismael dos Anjos, que destacou a diferença entre homicídios gerais e feminicídios — crime caracterizado pelo assassinato de mulheres em razão do gênero.
“Feminicídio é um tipo de crime específico. Não quer dizer que foram só 1.500 mulheres mortas”, respondeu o consultor durante o debate.
A apresentadora Julia Duailibi também rebateu o ator ao afirmar que a violência no país “não mata democraticamente”, em referência ao impacto desproporcional sobre determinados grupos sociais.
Ao longo do programa, Vera Iaconelli defendeu que homens precisam ouvir mais as mulheres quando o assunto é violência de gênero e masculinidade.
“Quando as mulheres falam ‘parem de nos matar’, elas não estão falando ‘parem de serem homens’. Sejam outro tipo de homem”, afirmou a psicanalista.
A participação de Cazarré repercutiu negativamente nas redes sociais. Internautas acusaram o ator de desinformação e criticaram o uso de dados relacionados à violência contra mulheres.
A deputada estadual Ediane Maria (PSOL-SP) afirmou que o ator demonstrou “desinformação” e criticou o que chamou de “fake news” durante o programa. Já outros usuários do X classificaram as declarações como “mentira” e “constrangedoras”.
O debate ocorreu semanas após o lançamento do curso presencial “O Farol e a Forja”, idealizado por Cazarré e voltado ao público masculino. O evento propõe discussões sobre liderança, masculinidade e espiritualidade cristã, com encontros previstos para julho, em São Paulo.
Segundo o ator, o projeto busca criar espaço para debates sobre o papel masculino na sociedade contemporânea. Ele também defendeu, durante o programa, que homens e mulheres possuem diferenças naturais de comportamento e afirmou que deseja criar filhos “empáticos, corajosos e viris”.
Cultura red pill
Juliano Cazarré recusou qualquer vínculo com a cultura red pill durante participação no debate. Ele usou sua trajetória familiar como argumento central para distanciar-se da ideologia masculinista. Cazarré destacou que sua vida contraria os princípios do movimento.
“Para um red pill, eu sou o ser mais abjeto do mundo: sou casado, tenho seis filhos e, quando eu conheci a minha mulher, ela estava grávida do meu primeiro. Adotei um filho que não era meu, isso para um red pill é a morte”, afirmou.
O artista enfatizou que sua escolha de acolher uma criança que não era biologicamente sua representa o oposto dos valores defendidos pela cultura red pill. “Eu não poderia ser mais anti-red pill do que eu sou. O meu curso é só um pouco de bom senso”, completou.
Debate sobre masculinidade
As declarações surgiram após Cazarré receber críticas direcionadas ao curso que criou para o público masculino. O ator defendeu o conteúdo do material e negou alinhamento ideológico com movimentos masculinistas.
“Não é o foco do meu curso e não é o homem que eu sou”, disse Cazarré ao rebater as acusações.
O programa contou com a participação da psicanalista e colunista Vera Iaconelli e do jornalista Ismael dos Anjos. A discussão abordou questões sobre masculinidade contemporânea e os diferentes alinhamentos ideológicos que cercam o tema.
Por que isso importa: O debate reflete tensões atuais sobre como discutir masculinidade sem reforçar ideologias extremistas. A posição de Cazarré ilustra a dificuldade de criar conteúdo para homens sem ser associado a movimentos controversos.
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