Benedito Ruy Barbosa me salvou de uma guerra. Isso aconteceu quando ‘Terra Nostra’, novela dele que estava sendo exibida na Europa, num momento complicado de pós-guerra no Kosovo. A situação era extremamente tensa. Cheguei na região quando o conflito ainda estava muito tenso. Me confundiram com um americano.
Era uma espécie de milícia, que veio me intimidar. E me perguntaram: ‘É americano? Sou brasileiro’. E, todos armados, abriram um sorriso e falaram as seguintes palavras: ‘Matteo, Giuliana?’. Naquele momento, eu não entendi o que era. Aqueles milicianos se referiam, claro, aos personagens da novela, personificados pelos atores Thiago Lacerda e Ana Paula Arósio.
O curioso é que todos perguntavam como terminava a novela, que ainda passava por lá. E eu não tinha visto o final. Até desconfiaram: ‘não é possível que ele é brasileiro’, que brasileiro não sabe o final de ‘Terra Nostra’? Eu já contei essa história para o Thiago Lacerda. Eles fizeram uma história muito emocionante e que vai muito além das fronteiras do nosso país.
A partir daquele momento, entendi que a novela estava passando na Sérvia e no Kosovo. E, obviamente, usei plenamente como cartão de visita a todo lugar que ia naquela zona extremamente tensa.
Lembro de uma cena em que, também com pessoas armadas, falei que era brasileiro, citei ‘Terra Nostra’. Abriram uma cortininha e veio a família toda, avós e netos, que queriam conhecer aquela pessoa que vinha do país de ‘Terra Nostra’. São aqueles embaixadores que o Brasil tem, esse soft power, que são extraordinários.
Esse foi Benedito Ruy Barbosa, que levava a cultura brasileira e o relato da história brasileira não apenas para nossa realidade, mas para o mundo.
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