A Polícia Federal identificou que o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro, banqueiro preso, pagou bônus de final de ano para membros de “A Turma“, grupo responsável por fazer ameaças a adversários do empresário. Segundo a investigação, o núcleo operacional de Vorcaro se dividia em dois grupos distintos: “A Turma” e “Os Meninos”.
De acordo com a PF, “A Turma” era responsável por intimidar e ameaçar adversários do banqueiro. Já “Os Meninos” realizava ataques cibernéticos, invasões a sistemas e monitoramento telefônico ilegal. Os dois grupos integravam uma estrutura paralela de vigilância comandada por Vorcaro.
Policial aposentado operava pagamentos
Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, integrava o grupo e prestava serviços para “A Turma”. Segundo investigadores, Marilson atuava como operador financeiro dos pagamentos do grupo.
A investigação aponta que Marilson pediu a chave pix de Anderson Wander da Silva Lima, policial federal ativo lotado na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro, para enviar uma oferenda. O pagamento foi efetivado no dia seguinte ao pedido.
Segundo a autoridade policial, esse pagamento é compatível com o bônus de final de ano que Daniel Vorcaro teria destinado à Turma. Sebastião Monteiro Júnior, também policial federal aposentado, integrava a estrutura.
Delegada repassava informações sigilosas
Valéria Vieira Pereira da Silva, delegada da PF, e Francisco José Pereira da Silva, policial federal aposentado e marido de Valéria, repassavam informações sigilosas via sistema e-Pol, plataforma interna da corporação.
Os investigadores apontam que o casal tinha acesso a dados sensíveis e os compartilhava com a estrutura de Vorcaro. Valéria atuava na Delegacia Especial de Polícia Federal no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Galeão).
Empresário do jogo do bicho liderava braço local
Manoel Mendes Rodrigues é apresentado pela decisão como líder de braço local do grupo. Empresário do jogo do bicho, Manoel comandava operações regionais da estrutura paralela de vigilância.
Segundo a denúncia, a estrutura funcionava como uma máfia. A frase atribuída ao grupo resume a lógica de atuação: negócio de banco é igual a máfia. A Polícia Federal segue investigando a extensão da rede e o envolvimento de outros agentes públicos na operação.
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