A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra o Grupo Refit, empresa do setor de combustíveis, em Jundiaí (SP), nesta sexta-feira (15/05). A investigação apura um esquema de ocultação patrimonial e transferência ilegal de recursos para o exterior. Segundo a PF, o conglomerado é suspeito de usar sua estrutura societária e financeira para dissimular bens e esvaziar o patrimônio da companhia.
A operação mira uma das maiores devedoras de tributos do país. A Refit aparece como a principal devedora de ICMS no estado de São Paulo e ocupa a segunda posição no ranking de inadimplentes do Rio de Janeiro. A empresa também figura entre as maiores devedoras da União.
Ricardo Magro, de 51 anos, está à frente do grupo desde 2008. Advogado e empresário, ele deixou o Brasil em 2016 e atualmente mora em Miami, nos Estados Unidos. Antes de assumir a Refit, dona da Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, Magro atuou como sócio do Grupo Galileo e foi advogado de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados.
Em setembro, Magro concedeu entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo” afirmando ser vítima de perseguição institucional. Na ocasião, ele também relatou ter recebido ameaças do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Em janeiro deste ano, Magro contratou o advogado Kevin de Carvalho Marques, filho de Kassio Nunes Marques, para uma disputa contra a Agência Nacional do Petróleo (ANP), no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Carvalho Marques tem 25 anos.
Histórico de investigações
A Refit já foi alvo de outras operações. Em 2016, a Operação Recomeço mirou Magro por suspeitas envolvendo o setor de combustíveis. A empresa também apareceu na Operação Carbono Oculto, que investigou esquemas de sonegação fiscal.
Em julho de 2024, o Ministério Público de São Paulo apontou a companhia em investigações sobre fraudes tributárias. O Ministério Público Federal também apura possíveis desvios de recursos de fundos de pensão da Petrobras e dos Correios envolvendo o grupo.
Investimentos em marketing esportivo
Apesar das dívidas bilionárias, a Refit investiu pesado em patrocínios esportivos nos últimos anos. Em 2021, a empresa lançou uma linha de combustíveis usando a marca UFC (Ultimate Fighting Championship). No ano passado, a companhia anunciou patrocínio à NFL (National Football League).
A estratégia de marketing contrasta com o passivo tributário acumulado pela empresa nos últimos anos.
Ligações com outros grupos empresariais
Antes de comandar a Refit, Magro teve participação no Grupo Galileo, que emitiu debêntures de R$ 100 milhões em dezembro de 2010. Carlos Alberto Peregrino da Silva, ex-diretor daquele grupo, também teve ligações com o empresário.
A Refinaria de Manguinhos, controlada pela Refit, opera no segmento de refino e distribuição de combustíveis. A empresa compete com gigantes do setor, como a Shell Brasil, controlada pela Cosan de Rubens Ometto.
O que diz a investigação
Segundo a Polícia Federal, a operação busca reunir provas sobre a utilização da estrutura empresarial para ocultar patrimônio e transferir recursos ilegalmente para fora do país. A investigação apura se houve dissimulação de bens para evitar o pagamento de tributos e o cumprimento de obrigações fiscais.
A ação faz parte de um esforço das autoridades para combater esquemas sofisticados de sonegação no setor de combustíveis — um dos mais visados por fraudes fiscais no Brasil. O Instituto Combustível Legal (ICL) estima que a sonegação no setor gera prejuízos bilionários aos cofres públicos todos os anos.




