Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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Áudio de Flávio Bolsonaro a Vorcaro vira crise política e ameaça eleitoral ao bolsonarismo

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(Foto: Daniel Cole/Reuters)

As últimas 24h foram totalmente marcadas por controle de danos de um lado e artilharia pesada em campo do outro.

Enquanto Flávio Bolsonaro tentava se justificar, o Partido dos Trabalhadores (PT) e todo o núcleo da esquerda trabalhavam forte nas redes sociais e em entrevistas à mídia, atacando Flávio e sua relação com Daniel Vorcaro e o Banco Master.

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Mas o que mais chamou a atenção foi que Flávio, na tentativa de explicar a situação, acabou abrindo ainda mais brechas, e o desgaste já tomou proporções maiores. Isso porque a Polícia Federal vai investigar se o dinheiro que, em tese, financiou o filme não foi, na verdade, usado para financiar Eduardo Bolsonaro nos EUA, onde vive desde 2025.

Flávio divulgou uma nota ontem e disse que “é preciso restabelecer os fatos e separar investigação séria de tentativa de contaminação política”.

Nas conversas divulgadas pelo site Intercept, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro chama Daniel Vorcaro de “irmão”, “mermão” e chega a dizer que “não tem meia conversa entre a gente”.

Uma das estratégias de Flávio (se é que podemos chamar assim) tem sido dizer que essas palavras de maior intimidade são, na verdade, expressões do dia a dia usadas pelos cariocas… Enfim, quanto mais mexe e tenta arrumar, mais piora sua situação. Afinal, chamar alguém de “mermão” não é a questão.

A questão é um senador da República chamar um banqueiro de “irmão” para cobrar centenas de milhões de reais dias antes da prisão dele por corrupção. Tudo isso em um momento em que o mercado financeiro e o mundo de Brasília já sabiam, há pelo menos um ano, das suspeitas sobre o Banco Master. As suspeitas envolviam carteiras de crédito falsas, operações consideradas insustentáveis e balanços financeiros vistos como suspeitos.

Dito tudo isso, desde ontem vemos os principais políticos se posicionando sobre a questão.

Romeu Zema foi um dos primeiros a reagir, ainda anteontem, e se posicionou fortemente contra Flávio, o que pode fazer com que ele cresça marginalmente no debate público por agora, absorvendo parte do seu eleitorado no curto prazo. Mas ainda é precoce dizer que isso vai persistir até outubro.

Ronaldo Caiado adotou postura diferente da de Zema, defendendo mais união no campo da direita e evitando ataques diretos a Flávio. Isso, porém, não significa retirada de candidatura ou alinhamento. Trata-se de uma estratégia distinta para disputar o mesmo eleitorado.

E, no governo, ainda existe cautela em relação ao surgimento de novos fatos envolvendo aliados de Lula. Apesar disso, a percepção predominante é de que a maior parte dos desgastes atuais recai sobre nomes ligados à oposição, o que faz com que o Planalto enxergue, na margem, saldo político favorável na continuidade das investigações.

De toda forma, o governo segue com o radar ligado para outros episódios de corrupção envolvendo o PT, além de vínculos políticos de Daniel Vorcaro na Bahia, estado essencial para a estratégia eleitoral de Lula.

Seguimos acompanhando mais este longa-metragem da política nacional.

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