“Não dá para dizer que não viu nada”, diz Izalci ao relacionar Celina e Ibaneis à crise do BRB

TMC Brasília realiza a quarta entrevista da série com pré-candidatos ao Palácio do Buriti. Izalci Lucas falou sobre a crise do BRB, fez críticas à gestão do DF e adotou um discurso diferente da linha defendida pelo partido ao qual é filiado

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Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Para o senador Izalci Lucas, pré-candidato ao Governo do Distrito Federal pelo PL, a próxima gestão terá como principal desafio “resgatar Brasília”. A declaração foi dada durante sabatina com pré-candidatos ao GDF, feita pela TMC Brasília. Izalci direcionou críticas à situação do Banco de Brasília (BRB) e ao caso envolvendo o Banco Master, apontando um suposto prejuízo bilionário e associando o episódio à atual gestão do GDF.

Segundo o senador, o DF vive hoje um cenário de “caos” em diversas áreas. “A saúde está na UTI, a educação péssima, a segurança com muitos problemas, área social nem se fala. Há um rombo muito grande orçamentário no DF”, afirmou.

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Ao comentar o caso envolvendo o Banco de Brasília e o Banco Master, Izalci disse que a situação pode impactar diretamente o cenário eleitoral de 2026 no Distrito Federal. O parlamentar citou a possibilidade de delação premiada do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e afirmou que o episódio compromete politicamente Ibaneis Rocha e a governadora Celina Leão. “Não dá para dizer agora que, diante de tudo o que está errado, ela não sabia de nada, não viu nada”, declarou ao falar sobre Celina Leão, candidata da base governista ao Palácio do Buriti.

No Distrito Federal, a direita está rachada. Izalci é o candidato do Partido Liberal, mas integrantes do próprio PL manifestam apoio à Celina, como é o caso da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O senador, porém, mantém a pré-candidatura e adota um discurso contrário à continuidade do atual grupo político.

Segundo Izalci, o desgaste provocado pelo caso do BRB deve dificultar uma possível candidatura de Ibaneis Rocha ao Senado. “Não tenho dúvida de que o Ibaneis dificilmente terá agora chance de ser senador. Na cabeça dele, isso já estava praticamente definido, mas com a crise envolvendo o Banco Master, esse cenário muda”, declarou.

O senador também levantou suspeitas sobre a rapidez na aprovação de projetos relacionados ao Banco Master na Câmara Legislativa do DF. Segundo ele, “houve aprovação em 24 horas praticamente”, sem avaliações completas sobre terrenos e questões ambientais, o que, na visão dele, gera desconfiança sobre o processo.

Crise Fiscal

Durante a entrevista, Izalci voltou a criticar a situação financeira do Governo do Distrito Federal e afirmou que há diversas obras públicas paralisadas mesmo com recursos já pagos. Como exemplo, citou a construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na Estrutural. “Eu coloquei R$ 13,8 milhões, os recursos foram pagos em 2024 e 2025, e agora a empresa está parando porque não está recebendo”, disse. Ele afirmou ainda que fornecedores e empresas terceirizadas reclamam de atrasos nos pagamentos por parte do governo.

Na área da saúde, o senador classificou a situação como crítica e voltou a defender uma gestão mais eficiente. Segundo ele, Brasília possui orçamento suficiente para se tornar referência nacional, mas falta organização administrativa e uso de tecnologia. “Brasília já era para ser há muito tempo uma referência nacional e até internacional. Nosso orçamento aqui é maior do que qualquer município”, afirmou.

Relações com a União

Izalci também comentou a relação entre o Governo do Distrito Federal e o Governo Federal. Segundo ele, é preciso haver uma relação “harmônica”, mas dentro de uma política de Estado, e não apenas de governo. O senador destacou ainda que o Fundo Constitucional não pode ser utilizado para cobrir possíveis prejuízos do BRB, já que os recursos têm destinação específica para segurança pública, saúde e educação.

Ao falar sobre a Câmara Legislativa do DF, o parlamentar defendeu a eleição de deputados “independentes” e criticou parlamentares que, segundo ele, mantêm cargos e indicações dentro do governo em troca de apoio político. “Grande parte acaba se vendendo e aprovando qualquer coisa em função disso e não do interesse do povo”, afirmou.

  • Por Francisco Neto

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