Com a queda da patente da semaglutida, o Brasil pode passar a ter opções genéricas das “canetas emagrecedoras” a partir de 2027. Farmacêuticas estão fazendo estudos e encaminharam as solicitações à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para conseguir a aprovação dos medicamentos.
Em conversa com a TMC, Alexandre França, presidente da MedQuímica, uma das principais farmacêuticas do país, disse que a expectativa é para conseguir a certificação em até um ano e meio.
“Existem vários processos que já estão em análise na Anvisa, da MedQuímica também. A nossa expectativa é que a gente possa, em um ano, um ano e meio, estar com as nossas próprias canetinhas no mercado e, obviamente, por serem genéricas, com preço mais acessível. Mas, obviamente, outra vez, preço acessível não significa uso indiscriminado”, destacou o presidente da MedQuímica.
A patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e Wegovy, acabou em março de 2026. Com isso, a exclusividade do laboratório Novo Nordisk acabou, o que permite a produção de genéricos e similares por outras farmacêuticas.
Nesta quarta-feira (20) foi comemorado o Dia Nacional dos Medicamentos Genéricos.
O país tem três tipos de medicamentos: inovador, similar e genérico. O inovador é o medicamento original, lançado após pesquisas e testes clínicos. Esse tipo de remédio tem 10 anos de exclusividade no mercado garantido por lei.
Os similares são uma cópia do medicamento inovador, mas possuem um nome comercial próprio e podem apresentar pequenas variações no tamanho, forma, prazo de validade ou embalagem. Já os genéricos também são inspirados no medicamento inovador, mas não têm nome de marca e são identificados apenas pelo nome do princípio ativo.
No entanto, para comprovar a eficácia e a qualidade, todos os remédios precisam ser aprovados pela Anvisa antes de serem comercializados. Uma curiosidade é que, por lei, o genérico deve custar 35% a menos que os medicamentos de referência.
O Alexandre França conta que no ano passado lançou o genérico da dapagliflozina, que custa metade do preço do inovador, o que amplia o acesso ao medicamento.
“A gente lançou, em setembro do ano passado, o primeiro genérico, Dapaglifosina. A Dapaglifosina é o nome da substância, até setembro do ano passado só existia o medicamento inovador, com uma marca comercial, que sozinho vendia mais de um bilhão de reais no mercado brasileiro, mas custava 200 reais. Eu lancei a dapagliflozina, o meu foi o primeiro em setembro, como eu falei, pela metade do preço, a 100 reais”, declarou Alexandre.
Esse remédio é usado para tratar diabetes tipo 2, insuficiência cardíaca e doença renal crônica. Atualmente, os genéricos ocupam cerca de 30 a 35% do mercado de medicamentos.
Por Gustavo Sleman e Rafael Alves




