Donald Trump anunciou o envio de 5 mil soldados adicionais à Polônia — o mesmo número que havia ordenado retirar da Europa semanas antes. A reviravolta gerou perplexidade entre aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e dentro do próprio governo americano.
O anúncio foi feito por Trump em rede social. Ele atribuiu a decisão à relação com o presidente polonês Karol Nawrocki, a quem disse ter apoiado na eleição. Segundo Trump, foi com base nessa relação que decidiu reforçar o contingente no país.
A mudança de postura pegou de surpresa até autoridades americanas. Entre os aliados europeus, o tom foi semelhante. A ministra das Relações Exteriores da Suécia, Maria Malmer Stenergard, disse que a situação é realmente confusa e nem sempre fácil de navegar. Ministros da Letônia, Finlândia, Holanda e Noruega também questionaram a falta de estrutura e clareza nas comunicações americanas.
Nesta sexta-feira (22/05), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, tentou minimizar as contradições em discurso com aliados da Otan. Rubio afirmou que os EUA têm compromissos globais e reavaliações constantes de posicionamento de tropas, e que essas não são decisões políticas.
Movimentações antes do anúncio
A cronologia da semana revela o ritmo acelerado das mudanças. Na última terça, o vice-presidente J.D. Vance havia dito que o envio de tropas à Polônia estava adiado. No dia seguinte, quarta (20/05), o tenente-general Alex Grynkewich, chefe militar da Otan, anunciou a transferência de centenas de soldados adicionais para outros locais.
Também na quarta, o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa polonês, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, reuniu-se com uma autoridade americana e declarou que os EUA não pretendiam reduzir a presença militar na Polônia.
Grynkewich afirmou que o objetivo é manter boa sincronia com os aliados daqui para frente.
Um funcionário americano ouvido sob anonimato pela agência Reuters indicou que uma possível redução do contingente na Alemanha — onde há cerca de 35 mil soldados americanos — poderia fazer parte de uma solução temporária para viabilizar o reforço polonês.
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O contexto polonês ajuda a entender o interesse americano. A Polônia destina 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB) à defesa em 2025, o maior percentual entre todos os membros da Otan. O país também afirma ser alvo de espionagem e sabotagem russas em razão do apoio que presta à Ucrânia.




