PCC é classificado como maior grupo criminal do hemisfério ocidental pelo Governo dos Estados Unidos

Documentos da Casa Branca detalham estratégia americana para a América Latina com foco em cartéis e facções brasileiras

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(Foto: Evan Vucci/Reuters)

O governo dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) como a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental. A avaliação consta em documentos oficiais da Casa Branca e integra uma estratégia mais ampla de Washington para a América Latina.

Em maio, os EUA formalizaram a designação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Segundo o governo americano, as duas facções estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e sua atuação ultrapassa as fronteiras brasileiras, alcançando outros países da região e os próprios Estados Unidos. O secretário de Estado Marco Rubio afirmou que “o governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e cortar financiamento e recursos de narcoterroristas”.

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Segundo comunicado oficial, “o PCC é hoje a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental e, nos últimos anos, expandiu suas operações globalmente, com presença significativa em países como Reino Unido, Turquia e Japão. Nos EUA, a facção representa uma ameaça criminal real e crescente”. O governo americano disse ainda que a medida reforçava o compromisso da administração Trump de “desmantelar cartéis e organizações criminosas” na região.

A ofensiva diplomática e de segurança dos EUA em relação à América Latina se apoia em dois documentos publicados nos últimos meses. Uma nova Estratégia de Política Externa com foco na região foi tornada pública pela Casa Branca em dezembro de 2024. Já em janeiro, o Departamento de Guerra dos EUA lançou a Estratégia Nacional de Defesa, com o objetivo declarado de assegurar dominância militar e comercial do Ártico à América do Sul.

Entre as medidas previstas estão o reforço da atuação da Marinha e da Guarda Costeira americanas no continente, o fortalecimento do controle de fronteiras e o combate a cartéis, além da busca por acesso a pontos estratégicos na região. A estratégia também visa “reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental”, com uma “retomada poderosa” da influência sobre a região — princípio do século XIX resumido na frase histórica “a América para os americanos”.

O governo americano afirmou disposição de colaborar com países da região, mas se reservou o direito de agir militarmente onde seus interesses não forem atendidos.

O presidente venezuelano Nicolás Maduro também está na mira de Washington. Segundo o Departamento de Guerra dos EUA, ele seria o líder do Cartel de los Soles, organização classificada pelos EUA como terrorista.

Reação do Brasil

O presidente Lula criticou a classificação do PCC como organização terrorista e defendeu a soberania brasileira. O Palácio do Planalto avaliava que o rótulo de grupo terrorista poderia abrir margem para ações mais duras dos EUA contra o Brasil, avaliação que, segundo a fonte, era uma leitura do governo brasileiro, não um fato confirmado.

Conforme apontado no fact-brief, especialistas em segurança pública sustentavam que as normas brasileiras voltadas ao enfrentamento de facções criminosas já estabelecem sanções mais severas do que as previstas na lei antiterrorismo — o que, na avaliação desses especialistas, esvaziaria a utilidade jurídica interna da classificação americana. Trata-se de uma avaliação técnica, não de uma posição oficial do governo.

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