Pedágio free flow terá 4 faixas de preço por prazo de pagamento

Sexta etapa de concessões federais adota modelo com quatro categorias tarifárias; adesão automática garante menor valor e inadimplência fica 90% com a União

Por
(Foto: Gustavo Mansur/Governo do RS)

Pagar o pedágio na hora vai custar menos. Demorar mais de seis meses pode custar o dobro. Esse é o princípio do novo modelo tarifário que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) vai adotar na sexta etapa de concessões rodoviárias federais.

O sistema divide o preço do pedágio em quatro categorias, escalonadas conforme o prazo e a forma de quitação. Quanto mais rápido o motorista pagar, menor será o valor cobrado.

Siga o canal da TMC no WhatsApp e receba as últimas notícias

A tarifa mais baixa, chamada TP1, é destinada a quem usa pagamento automático — por tag ou sistema similar. Esse valor é a base que remunera a concessionária e serve de referência para calcular as demais faixas.

Já a TP2 se aplica ao usuário avulso que quita o débito em até 30 dias. O valor é aproximadamente 18% superior ao da TP1. Para quem leva entre 30 e 180 dias para pagar, entra a TP3: o preço equivale à TP2 multiplicada por 1,5. Acima de 180 dias, vale a TP4, cujo valor base é o dobro da TP2.

Além das tarifas escalonadas, quem não pagar dentro do prazo legal ainda leva uma multa. O Código de Trânsito Brasileiro prevê cobrança de R$ 195,23 por evasão de pedágio.

Na prática, o modelo muda a lógica do free flow — sistema sem cancelas em que a cobrança é feita por câmeras e sensores. Antes, havia dúvidas sobre como tratar quem não pagava. Agora, a tabela de preços já embute essa progressão.

Leia mais: Petrobras aumenta gasolina em R$ 0,48, mas subsídio reduz impacto para R$ 0,04 por litro

Transparência e proteção ao usuário

Segundo a ANTT, as tabelas disponibilizadas ao público deverão mostrar os valores nominais de cada modalidade, incluindo TP3 e TP4. O objetivo, conforme o órgão, é garantir clareza sobre quanto será cobrado em cada situação de pagamento ou inadimplência.

O diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio, afirmou que o modelo representa um avanço para o free flow puro. Segundo ele, o mecanismo estimula o pagamento antecipado e aumenta a adesão de quem usa mais a rodovia — o que, na avaliação dele, atende ao que o usuário espera desse tipo de cobrança.

O risco de inadimplência, porém, não recai integralmente sobre a concessionária. 90% desse risco fica com a União, e o balanço é feito uma vez por ano. A cada cinco anos, revisões contratuais poderão reduzir a diferença entre as faixas tarifárias, caso a inadimplência esteja sob controle.

Onde o modelo já foi testado e onde chega a seguir

O mecanismo multiplicador de tarifa foi aplicado pela primeira vez no leilão da Rota das Gerais, realizado em março. A resolução que consolidou as regras do free flow na ANTT foi aprovada neste ano.

A Rota 2 de Julho — antiga ViaBahia — deve incorporar o novo sistema de tarifação e ser enviada para avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU). A previsão é que ela seja o primeiro leilão a adotar o modelo atualizado.

Os documentos de audiência pública referentes aos lotes 1 e 3 de rodovias de Santa Catarina estão abertos para contribuições até 16 de junho. Esses editais já apresentam a fórmula de precificação com as quatro categorias tarifárias.

O diretor-geral da ANTT também estimou que contratos já existentes poderão ser ajustados para incorporar o novo modelo, embora não haja confirmação de que isso ocorrerá.

Ao vivo
São Paulo
Ouça a TMC pelo Brasil
  • 100,1FM São Paulo
  • 101,3FM Rio de Janeiro
  • 100,3FM Curitiba
  • 88,7FM Belo Horizonte
  • 92,7FM Recife
  • 100,1FM Brasília
Notícias que importam para você
Copyright © 2026 CNPJ: 44.060.192/0001-05