Um aluno de 14 anos teria sido obrigado a ficar nu durante uma revista em uma escola estadual de Santo André (SP). O caso levou ao afastamento da diretora e da vice-diretora da Escola Estadual Ordânia Janone Crespo e reacendeu o debate sobre os limites da atuação escolar no combate ao uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes.
Segundo Boletim de Ocorrência registrado pela família no dia 1º de junho, o jovem foi abordado pelas duas gestoras após suspeitas de que portava um “pod”, dispositivo eletrônico utilizado para fumar. O estudante teria sido levado até uma sala da escola e obrigado a retirar todas as roupas.
Ainda de acordo com o relato, ele tentou cobrir as partes íntimas com as mãos, mas foi impedido. Nenhum cigarro eletrônico ou outro objeto irregular foi encontrado.
No documento, a gestão escolar informou ter identificado, nos últimos quatro meses, casos recorrentes de consumo de cigarros eletrônicos na unidade, especialmente em banheiros. A escola também relatou apreensões de dispositivos e frascos em abordagens descritas como pedagógicas e sem contato físico. O registro ainda cita um suposto esquema de fornecimento e venda dos produtos a menores nas proximidades da escola.
A direção também solicitou a abertura de inquérito para investigar a venda ilegal dos dispositivos e pediu a preservação de imagens das câmeras de monitoramento. Entre os materiais apreendidos, segundo o documento, estaria um caderno adaptado com fundo falso utilizado para ocultar cigarros eletrônicos.
Diante da denúncia envolvendo o estudante, a Unidade Regional de Ensino (URE) de Santo André determinou o afastamento da diretora e informou que o mesmo procedimento será aplicado à vice-diretora. Uma apuração preliminar foi encaminhada à Controladoria Geral do Estado (CGE), responsável por analisar a conduta das servidoras.
Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo afirmou lamentar o ocorrido, informou que está prestando apoio ao aluno e à família por meio do programa Psicólogos nas Escolas e reiterou que não compactua com qualquer forma de violência ou constrangimento contra estudantes.
O caso agora será analisado pelas autoridades competentes, enquanto a investigação buscará esclarecer tanto a denúncia de revista vexatória quanto as circunstâncias relacionadas ao combate ao uso de cigarros eletrônicos dentro da unidade escolar.
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