Operação mira quadrilha que revendia medicamentos roubados para hospitais públicos

O grupo usou cerca de 25 empresas de fachada, distribuídas entre os estados do Rio, São Paulo, Goiás e Pará, para receptar os remédios

Por , e , Rio de Janeiro | Atualizado em:
(Foto: Reprodução)

O homem apontado como chefe do núcleo logístico financeiro do grupo especializado em roubos e distribuição de medicamentos oncológicos é preso em São Paulo. Os agentes cumpriram um mandado de prisão temporária expedido contra Stefano Montovani Fernandes. O empresário foi encontrado em Santo André, na região do Grande ABC.

A ação da Polícia Civil do Rio conta com apoio de agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais da Polícia Civil de São Paulo. Até o momento, quatro pessoas foram presas. De acordo com as investigações, o grupo criminoso participou de pelo menos 20 crimes semelhantes nos últimos seis meses.

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Os policiais também identificaram uma movimentação financeira superior a R$ 33 milhões no período de um ano, entre 2025 e 2026, por meio da utilização de empresas de fachada.

Stefano Mantovani Fernandes foi preso em 2009 ao lado de outros parentes em investigação que apurou que a família comandava esquema de roubo e venda de remédios a 20 estados e ao Distrito Federal. Mesmo condenado à época a 14 anos de prisão por receptação e venda de remédios da rede pública, investigações da Polícia Civil de São Paulo apontaram em 2012 que Stefano comandava uma quadrilha que roubava remédios de dentro da prisão. A reportagem TMC tenta contato com a defesa do empresário.

A organização criminal especializada em roubos de cargas de medicamentos que é alvo de ação da Polícia Civil revendia os produtos para hospitais das redes pública e privada por meio de processos licitatórios. Segundo as investigações, o grupo utilizou cerca de 25 empresas de fachada, distribuídas entre os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, para receptar os remédios roubados.

Os agentes descobriram que, ao oferecer valores inferiores aos praticados pelo mercado regular, os criminosos conseguiam inserir os produtos na cadeia legítima de fornecimento. Na análise da Polícia Civil, o grupo conta com uma estrutura sofisticada e violenta, com diferentes núcleos, cada um responsável por uma etapa da operação, que envolviam empresas de fachada, “laranjas”, transportadoras e entregadores.

A investigação revelou que o esquema ia muito além do roubo das cargas transportadas. Após as ações criminosas, realizadas por criminosos fortemente armados, os medicamentos oncológicos e imunossupressores eram levados para áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro, no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, onde ocorria o transbordo e a redistribuição do material. Os policiais também identificaram que o chefe da organização é um homem com longo histórico de envolvimento em roubos de cargas.

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