Irã responsabiliza EUA por quebra do cessar-fogo

Trump pediu a Netanyahu que evitasse retaliação contra o Teerã, mas foi ignorado

Por Redação TMC | Atualizado em
Ilustração com bandeiras dos EUA e Irã
(Foto: Dado Ruvic/Illustration/Reuters)

Na madrugada de segunda-feira, 8 de junho, a Força Aérea Israelense confirmou ataques a alvos militares em Teerã, Tabriz e Isfahan, no Irã. “A Força Aérea Israelense atacou alvos militares pertencentes ao regime terrorista iraniano no oeste e centro do Irã há pouco”, disseram as forças de Israel em suas redes sociais. A ofensiva quebrou o cessar-fogo firmado em abril entre os dois países e deu início à primeira troca de ataques mútuos desde então.

Após os bombardeios israelenses, o Ministério de Relações Exteriores do Irã responsabilizou Washington pela ruptura do cessar-fogo. O porta-voz Esmaeil Baghaei afirmou que os EUA carregam responsabilidade direta pelas violações do acordo.

Mohammad Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, foi além. Em publicação nas redes sociais, declarou: “Eles não estão comprometidos com um cessar-fogo nem acreditam no diálogo e, por meio do bloqueio naval e da violação dos acordos relativos ao Líbano, demonstraram que só entendem a linguagem do poder”. Qalibaf anunciou que 19 bases americanas no Oriente Médio passam a ser consideradas alvos legítimos.

A rede Al Jazeera relatou explosões nas três cidades iranianas atingidas. Tanto o Irã quanto o Iraque fecharam seus espaços aéreos após a escalada. O Iraque informou que a medida valerá por 72 horas.

A escalada começou na noite de domingo, 7 de junho. Israel bombardeou Beirute, no Líbano, violando uma trégua com o Hezbollah que o presidente americano Donald Trump havia garantido na semana anterior. Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã disparou mísseis contra uma base militar israelense. Imagens nas redes sociais mostraram interceptações pelo sistema Domo de Ferro, escudo antimíssil de Israel.

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Segundo o site americano Axios, Trump telefonou para o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu ainda no domingo pedindo que não houvesse ação militar contra o território iraniano. O pedido foi ignorado. Ao Financial Times, Trump afirmou estar próximo de um acordo com Teerã. Ao Axios, disse: “Estamos próximos de um acordo [de paz] final com o Irã, eu não quero estragar tudo por causa do que está acontecendo agora”.

Acordo de paz no centro da crise

O contexto diplomático torna a situação mais delicada. Negociações de paz entre Washington e Teerã estão em andamento, segundo as fontes consultadas. Trump, ao comentar o episódio, disse que não queria ver o processo prejudicado pelos ataques.

Qalibaf também tocou nesse ponto. Segundo ele, o Irã não tinha alternativa senão aceitar as negociações com Washington porque é Trump quem dita as regras do jogo. A declaração sugere que Teerã enxerga os EUA como parte do problema, não como mediador neutro.

Trump também criticou Netanyahu pelos bombardeios no Líbano, confirmando ter chamado o premier de “completamente louco” por conta dos ataques de Israel no Líbano, conforme relatou o Axios.

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