Prisões, apreensões e impactos: Polícia realiza operação no Complexo da Maré

A ação cumpre diversos mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes da organização criminosa Terceiro Comando Puro

Por Redação TMC | Atualizado em
Foto: PCERJ

As polícias Militar e Civil estão realizando uma operação no Complexo de Comunidades da Maré, na Zona Norte do Rio, desde as primeiras horas desta quarta-feira (10). A ação, baseada nas investigações da delegacia de Bonsucesso, cumpre diversos mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes da organização criminosa Terceiro Comando Puro envolvidos em uma série de delitos que vão muito além do tráfico de drogas.

Até o momento, dez pessoas foram presas. Na Comunidade da Vila dos Pinheiros, equipes do BOPE prenderam dois criminosos e apreenderam dois fuzis, duas granadas, 12 carregadores e fuzil, 08 carregadores de pistola, farta quantidade de munições, um rádio comunicador, uma capa de colete balístico e um cinto de guarnição. Os policiais da unidade também localizaram uma estufa com vasta quantidade de pés de maconha a serem contabilizados.

Já na Av. Brasil, altura de Manguinhos, um homem foi preso. O foragido possuía um mandado de prisão em aberto expedido pela Comarca de Muriaé, em Minas Gerais.

Impactos

Escolas, unidades de saúde e atividades da Fiocruz tiveram o funcionamento impactado pela operação.

Na rede de educação, são 42 escolas municipais fechadas e duas estaduais impactadas. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) orientou os estudantes, servidores, trabalhadores terceirizados e visitantes a permanecerem em locais seguros que acompanham a operação, mas não optou pela suspensão das atividades acadêmicas e administrativas.

Já na área de saúde, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, as unidades de Atenção Primária que atendem a região do Complexo da Maré suspenderam o início do funcionamento e avaliam a possibilidade de abertura nas próximas horas.

Devido ao tiroteio, a Fiocruz orientou que os trabalhadores do Campus Maré a fazerem o trabalho remoto, se possível, e não se desloquem para a unidade. Até o momento, as atividades no Campus Manguinhos seguem mantidas. Segundo a Fiocruz, a situação permanece em monitoramento.

A circulação de ônibus e BRT na região não foi impactada nesta manhã, até o momento, segundo o Rio Ônibus e a Mobi-Rio. Apesar disso, vídeos mostram passageiros se abaixando na estação do BRT da Fiocruz para se proteger do tiroteio entre policiais e criminosos.

O trânsito também não foi afetado nesta manhã nas principais vias expressas do Rio, que cortam a comunidade, como a Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela. 

Estufa de maconha

A Polícia Militar encontrou uma estufa de maconha na Vila do João, uma das comunidades que fazem parte do conjunto de favelas alvo da ação. Até o momento, o material encontrado no local ainda não foi contabilizado pelas equipes.

Segundo os agentes, o material e os equipamentos usados no cultivo vão ser apreendidos e encaminhados para perícia.

“Baile da Disney”

As investigações que levaram à operação apontam que o chamado “Baile da Disney” era usado por criminosos do Terceiro Comando Puro para movimentar o dinheiro do crime organizado. O evento acontecia na Vila do João.

O baile ficou conhecido nos últimos anos pela estrutura, com decoração temática, shows, efeitos de luz, personagens infantis e atrações. As investigações apontam que o evento também funcionava como ponto de venda de produtos e serviços controlados pelos criminosos.

A Polícia Civil afirma que mercadorias roubadas eram revendidas durante as festas e que a facção concentrava os lucros na comercialização de bebidas e alimentos do evento. Além de pagamento de cachês e a presença de figuras públicas durante a festa.

O relatório também cita que nas gravações do baile, os homens costumavam aparecer armados em diversos vídeos compartilhados nas redes sociais. Em um dos episódios, as imagens chegam a mostrar cerca de 40 fuzis no meio do público.

Abuso sexual

Uma das frentes de investigação da Operação Trinus tem como alvo suspeitos de armazenar e compartilhar material de abuso sexual infantil por aplicativos de mensagens. Segundo as investigações, os envolvidos usavam plataformas online para compartilhar arquivos com conteúdo ilegal voltados para abuso de crianças e adolescentes. Além de trocarem mensagens com menores de idade marcando encontros.

As investigações tiveram início depois de uma denúncia encaminhada à Polícia Civil que indicava que criminosos da facção criminosa Terceiro Comando Puro estavam envolvidos em práticas de abuso contra menores.

Durante a operação, os agentes recolheram celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos que vão passar por perícia. A Justiça também autorizou medidas para obter dados que possam ajudar nas investigações. 

Seteira

Durante a operação, os policiais civis localizaram uma “seteira” na comunidade da Baixa do Sapateiro, preparada para atirar contra os agentes e criminosos rivais. Essa estrutura é uma abertura feita em uma parede ou muralha, onde os traficantes posicionam as armas para atirar e se proteger.

A ação continua em andamento e busca cumprir 56 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão. 

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