- MP de SP formalizou acusação contra Deolane Bezerra por organização criminosa e lavagem de dinheiro
- Denúncia inclui mais cinco pessoas, entre elas parentes de Marcola, apontado como líder do PCC
- Ação ocorre um dia após o STJ negar habeas corpus à influenciadora, presa desde 21 de maio
- Defesa afirma perseguição e nega qualquer ligação com o crime organizado
O Ministério Público de São Paulo formalizou nesta quarta-feira (10/06) uma ação penal contra a influenciadora e advogada Deolane Bezerra. A acusação é de integrar uma organização criminosa e praticar lavagem de dinheiro, com suposta ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A denúncia chegou um dia depois de o Superior Tribunal de Justiça (STJ) recusar o pedido de habeas corpus, instrumento jurídico que busca garantir a liberdade de alguém preso, apresentado pela defesa de Deolane. O relator do caso no STJ foi o ministro Ribeiro Dantas. Deolane está detida desde 21 de maio.
Quem mais foi denunciado
Além de Deolane, o MP incluiu na ação outras cinco pessoas. Entre elas estão Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Paloma Sanches Herbas Camacho e Everton de Souza. Os três primeiros são parentes de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como líder da facção.
Segundo o MP, a investigação teve origem em bilhetes e manuscritos recolhidos há sete anos dentro de um presídio. Material apreendido em 2019 na Penitenciária de Presidente Venceslau levou à abertura de três inquéritos. Um dos documentos mencionava “aquela mulher da transportadora” e o “endereço novo do Bizzoto”, referência a um ex-diretor de unidade prisional identificado como Bizzoto. Também aparecia o nome Gilmar Pinheiro Feitoza, o Cigano.
O caminho até Deolane
As apurações chegaram à Lopes Lemos Transportes Ltda., empresa investigada e cujas sócias incluem a empresária Elidiane Saldanha Lopes Lemos. Investigadores apontam que Deolane teria recebido valores oriundos dessa transportadora, o que a colocaria na condição de caixa do crime organizado. A defesa contesta essa interpretação.
Em carta escrita da penitenciária, Deolane afirmou: “Fui advogada atuante em centenas de processos e nunca sequer estive presente na Penitenciária de Presidente Venceslau. Não sou e nunca fui bandida!”. A influenciadora sustenta que a prisão está ligada ao exercício da advocacia e que é alvo de perseguição há cinco anos.
A família também se manifestou. Em publicação nas redes sociais, a mensagem divulgada foi: “Mais uma vez a mãe está enjaulada por pura perseguição e por ser formadora de opinião”.
Na prática, a denúncia formal transforma Deolane em ré. A partir daqui, o caso segue para a fase de instrução judicial, em que provas são produzidas e as partes apresentam seus argumentos antes de uma sentença.
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