Por que árbitro somali não vai apitar jogos no México ou no Canadá?

Treinamento, logística e segurança centralizados na Flórida impedem solução alternativa para Omar Artan na Copa do Mundo

Por Alexandre de Aquino | Atualizado em
(Foto: Reprodução)

A exclusão do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan da Copa do Mundo de 2026 gerou uma dúvida aparentemente simples: se o torneio será realizado nos Estados Unidos, Canadá e México, por que ele não poderia atuar apenas nas partidas disputadas fora do território norte-americano?

A resposta está no modelo operacional adotado pela Fifa para o Mundial.

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Todos os árbitros selecionados para a competição precisam permanecer concentrados na Flórida, onde são realizados treinamentos técnicos, avaliações físicas, reuniões de alinhamento, preparação tática e protocolos de segurança. A estrutura centralizada serve como base para deslocamentos aos três países-sede ao longo do torneio.

Por isso, não existe a possibilidade de um árbitro atuar exclusivamente no Canadá ou no México. Sem autorização para entrar nos Estados Unidos, Artan ficou impedido de participar de toda a preparação oficial da arbitragem e, consequentemente, perdeu sua vaga na competição. A própria Fifa confirmou que o profissional não poderia treinar nem apitar no Mundial.

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O caso ganhou repercussão mundial porque Artan seria o primeiro árbitro da Somália a trabalhar em uma Copa do Mundo. Ele havia sido incluído entre os 52 profissionais escolhidos pela entidade para integrar o quadro de arbitragem do torneio.

Segundo o presidente da Fifa, Gianni Infantino, a entidade tentou buscar alternativas para reverter a situação junto às autoridades americanas, mas não obteve sucesso. A federação reforçou que não tem poder sobre decisões migratórias dos países anfitriões e que cabe aos governos definir quem pode entrar em seus territórios.

O veto ocorreu após a chegada do árbitro ao aeroporto de Miami. Mesmo com visto válido e credenciamento para o Mundial, ele teve a entrada negada pelas autoridades dos Estados Unidos. A justificativa oficial citou “preocupações no processo de verificação”, sem detalhar publicamente quais elementos levaram à decisão.

De volta à Somália, Artan foi recebido como herói. O árbitro, eleito o melhor da África em 2025 pela Confederação Africana de Futebol (CAF), recebeu manifestações de apoio de autoridades locais e da população, que transformaram sua chegada em símbolo de orgulho nacional.

Apesar da frustração, o somali adotou um discurso de esperança. “Gostaria de agradecer à Fifa e à CAF por todo o apoio e prometo manter meus padrões de arbitragem enquanto me concentro no futuro”, afirmou. Ele também desejou sucesso aos colegas que participarão da Copa e disse esperar voltar a atuar em grandes competições internacionais nos próximos anos.

O episódio acabou expondo um dos primeiros grandes impasses da Copa de 2026: embora o torneio seja compartilhado entre três países, a operação da arbitragem depende diretamente da estrutura instalada nos Estados Unidos, tornando inviável qualquer solução parcial para profissionais impedidos de ingressar no país.

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