Árbitro somali vetado nos EUA volta como herói para a Somália

Omar Artan, eleito melhor árbitro da África pela CAF em 2025, teve entrada negada nos EUA

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: REUTERS/Feisal Omar)

Omar Artan chegou ao Aeroporto Internacional de Miami no sábado, 6 de junho, com visto válido no passaporte. Saiu sem entrar nos Estados Unidos. O árbitro somali, eleito melhor da África pela Confederação Africana de Futebol (CAF) em 2025, foi barrado por questões de verificação, segundo o Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA. Dois dias depois, a Fifa confirmou: ele está fora da Copa do Mundo 2026.

Artan, de 34 anos, tinha tudo para escrever história. Seria o primeiro árbitro da Somália a apitar uma Copa do Mundo. Integrava o quadro da Fifa desde 2018 e estava entre os 52 árbitros selecionados para o torneio, que começa em 10 de junho de 2026.

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A autorização de visto havia sido concedida pela Embaixada da Somália no Quênia. Mesmo assim, a entrada foi negada. Os motivos exatos não foram divulgados pelas autoridades americanas.

Na segunda-feira, 8 de junho, a entidade máxima do futebol divulgou nota oficial. Segundo a Fifa: “A Fifa pode confirmar que o oficial de arbitragem Omar Abdulkadir Artan não poderá treinar nem atuar na Copa do Mundo 2026 após ter sua entrada nos Estados Unidosnegada. A Fifa não se envolve nos processos de imigração dos países sedes, incluindo concessões de vistos, e foi informada pelas autoridades que a situação do Sr. Artan não será alterada neste momento”

A nota ainda dizia que “a Fifa não se envolve nos processos de imigração dos países sedes, incluindo concessões de vistos, e foi informada pelas autoridades que a situação do Sr. Artan não será alterada neste momento”.

O caso acontece num contexto político tenso. A Somália integra a lista de quase 40 países que enfrentam restrições de viagem sob a política de imigração do governo Donald Trump. No final de novembro, Trump havia descrito a Somália como podre e declarado intenção de acabar com o status especial de proteção contra deportação para somalis nos EUA.

Herói em Mogadíscio

Ciise Aden Abshir, assessor do Ministério da Juventude e Esportes somali e ex-capitão da seleção nacional, não poupou críticas. Segundo ele, Artan “é um dos árbitros mais respeitados da África” e negar sua entrada “prejudica não apenas a ele pessoalmente, mas também mina o compromisso do futebol com a equidade, o mérito e o espírito de fair play”. Abshir ainda pediu que “a comunidade do futebol deve apoiá-lo neste momento difícil”.

Na quarta-feira, 10 de junho, Artan desembarcou em Mogadíscio recebido como herói. Ao falar com apoiadores, ele disse: “Prometo a vocês, se Deus quiser, que estarei presente na próxima edição”, e pediu que o público somali “se conforte com isso e mantenha a confiança”.

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