O Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira (11/06) em forte alta de 1,71%, aos 171.497,24 pontos, reconquistando a importante marca psicológica dos 171 mil pontos com um ganho expressivo de 2.877,98 pontos. O pregão marcou uma das principais recuperações técnicas recentes da B3, guiada por uma intensa rotação de carteira.
Os investidores optaram por ignorar os dados severos de inflação no atacado dos EUA e promoveram uma onda de compras em ações descontadas do setor financeiro e de infraestrutura nacional.
A abertura do dia sugeria cautela após a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (IPP) de maio nos Estados Unidos, que avançou 1,1% no mês e atingiu 6,5% no acumulado de 12 meses — o maior patamar desde o fim de 2022. Embora o dado reforce a resiliência inflacionária global impulsionada pela energia no atacado, o mercado local acionou um gatilho de forte alívio técnico, esvaziando os prêmios de risco e provocando uma queda drástica na cotação do dólar, o que impulsionou os ativos domésticos.
Onda de OPAs e movimentos corporativos agitam a sessão
O grande destaque do ambiente corporativo foi a Braskem. Os papéis preferenciais classe B da petroquímica (BRKM6F) figuraram entre as maiores altas do pregão, disparando 17,45% (com as ações ordinárias subindo 7,44% na tela principal).
O forte apetite seguiu o anúncio de que o fundo de investimento em participação Shine I (sob gestão da Vórtex Capital e assessoria da IG4) protocolou o pedido de registro para uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) de 100% das ações da companhia, estendendo aos minoritários as mesmas condições da compra do controle de 50,1% que pertencia à Novonor.
Os grandes bancos exerceram o papel de principais motores de tração do Ibovespa. O Itaú Unibanco (ITUB4) liderou o volume financeiro do índice e fechou em forte alta de 2,90%, cotado a R$ 40,50, acompanhado pelo avanço de 2,12% da B3 (B3SA3). A holding Itaúsa (ITSA4) também subiu após reportar a recompra de 5 milhões de ações próprias em maio.
O setor de saúde e infraestrutura também viveu um dia de expansão de capital. A Rede D’Or (RDOR3) avançou 1,78% após liquidar seu terceiro programa de recompra e abrir um novo plano de até R$ 1 bilhão para adquirir 30 milhões de papéis.
No saneamento, o mercado digeriu a confirmação da Equatorial (EQTL3) como investidora de referência selecionada na oferta secundária da Copasa (CSMG3), garantindo uma fatia inicial de pelo menos 30% da estatal mineira. No setor elétrico, a Engie (EGIE3) subiu 3,01% em meio à estruturação de um follow-on de R$ 5,7 bilhões para incorporar a Jirau Energia ao seu portfólio.
Dólar
O dólar comercial registrou uma queda acentuada de 1,37%, encerrando o dia cotado a R$ 5,101 na venda. A divisa americana exibiu forte volatilidade, atingindo a máxima de R$ 5,181 pela manhã antes de despencar até a mínima de R$ 5,091.
O recuo expressivo da moeda norte-americana representou um forte movimento de realização de lucros e descompressão cambial. Mesmo com a persistência das tensões no Oriente Médio e a inflação ao produtor pressionada nos EUA, a manutenção da taxa DI estável a 14,40% manteve o ambiente brasileiro altamente atrativo para o ingresso de capital estrangeiro via arbitragem de juros (carry trade). O desmonte de posições defensivas no câmbio acelerou a queda da moeda ao longo da tarde.
O forte repique técnico do Ibovespa anula o viés de baixa de curto prazo e traz um sopro de otimismo para os ativos brasileiros após uma sequência de pregões defensivos.
A avalanche de reestruturações societárias, OPAs e programas bilionários de recompra de ações comprova que as próprias diretorias enxergam as cotações atuais como excessivamente baratas.
A consolidação deste rali nas próximas sessões dependerá de os juros futuros de longo prazo acompanharem o alívio visto hoje no mercado de câmbio à vista.
Leia mais: Copa do Mundo cara afasta torcedores e afeta hotéis e companhias aéreas dos EUA




