O setor cervejeiro global encerrou 2025 no vermelho e agora deposita esperanças na Copa do Mundo 2026 para virar o jogo. Segundo estimativa do Banco Jefferies, o torneio deve gerar 568 milhões de litros adicionais de cerveja consumidos, o equivalente a uma alta de 0,3% nas vendas mundiais do produto no ano.
O Mundial acontece entre 11 de junho e 19 de julho de 2026, distribuído por três países-sede: Estados Unidos, México e Canadá. Serão 48 seleções e 104 partidas ao longo de 39 dias de competição. Para o Jefferies, os mercados com maior potencial de crescimento no consumo são Estados Unidos, México, Brasil, China e Europa Ocidental.
As três maiores cervejarias do mundo chegam ao Mundial com resultados negativos em 2025. A AB InBev, dona das marcas Budweiser, Stella Artois e Corona, e patrocinadora oficial da Copa, registrou recuo de 2,3% nos volumes totais no ano. Só em cerveja, a queda foi de 2,6%. A empresa conseguiu compensar parte do tombo com crescimento de 2% na receita orgânica anual.
A Heineken teve desempenho ainda mais pressionado. O volume total caiu 3,4%, enquanto o segmento de cerveja recuou 4,1%. Ainda assim, a receita líquida da companhia avançou 1,6% no período.
Já a Carlsberg e sua divisão Carlsberg Breweries também sentiram o impacto. A receita orgânica do grupo cedeu 0,6%, ao mesmo tempo em que o volume orgânico encolheu 1,6% em 2025.
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O que pesa sobre o mercado
As quedas refletem um conjunto de pressões que o setor enfrenta: mudanças nos hábitos de consumo, inflação persistente e custos operacionais elevados. Na prática, isso significa que o consumidor está bebendo menos, ou trocando por outras bebidas.
A Copa de 2022, realizada no Qatar, agravou o cenário ao proibir a comercialização de bebidas alcoólicas nos arredores dos estádios. A edição de 2026, em solo norte-americano e latino-americano, não deve repetir essa restrição.
Um fator que anima o setor é o fuso horário dos jogos. Com partidas disputadas nos EUA, México e Canadá, os horários tendem a coincidir com o fim do dia ou a noite no Brasil e na Europa, período de maior frequência em bares e estabelecimentos com transmissão ao vivo. Esse perfil de consumo coletivo historicamente impulsiona as vendas de cerveja.
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