EUA e Irã ficam perto de acordo, mas versões sobre termos divergem

Presidente dos EUA prevê assinatura no fim de semana na Europa, enquanto imprensa estatal iraniana rejeita termos divulgados

Por Redação TMC | Atualizado em
Faixas com imagens do líder da Revolução Islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini, e do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, durante a oração de sexta-feira em Teerã, no Irã, em 12/06/2026.
(Foto: Majid Asgaripour/WANA via Reuters)

Donald Trump declarou, na quinta-feira (11)/06, que EUA e Irã chegaram a um entendimento após dois dias de bombardeios mútuos. O presidente norte-americano afirmou que um acordo de paz deveria ser assinado ainda neste fim de semana, em algum país europeu. Mas Teerã respondeu com negativa: a agência estatal Fars informou que “Nenhum texto para o memorando de entendimento inicial com os Estados Unidos foi aprovado”.

A contradição entre as partes marca o estado atual das negociações. O chanceler iraniano Abbas Araqchi afirmou que “O memorando de entendimento de Islamabad nunca esteve tão próximo. Enquanto se aguarda sua finalização, os meios de comunicação devem se abster de especular sobre seu conteúdo”, e que todos os detalhes serão comunicados no momento oportuno.

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O premiê paquistanês Shehbaz Sharif declarou que as duas potências já concordaram com o texto final do acordo. O Paquistão atua como principal mediador das tratativas.

Versões conflitantes sobre os termos

O conteúdo do memorando é disputado até entre as fontes ocidentais. A CNN Internacional, com base em informações do regime iraniano, relatou que o documento prevê um cessar-fogo de 60 dias em todas as frentes, incluindo o Líbano, além da reabertura imediata do Estreito de Ormuz, a passagem marítima estratégica entre o Golfo Pérsico e o Mar da Arábia. Segundo as mesmas fontes, o tráfego local na região voltaria aos patamares anteriores ao conflito em até 30 dias.

Já a Reuters, ouvindo uma fonte do governo norte-americano, informou que o acordo incluiria o desmantelamento do programa nuclear iraniano. A imprensa estatal iraniana, por sua vez, divulgou posição oposta: Teerã não cederia o controle do Estreito de Ormuz e tampouco abriria mão do direito de enriquecer urânio.

Na sexta-feira (12), Trump afirmou que os detalhes do acordo divulgados pela imprensa norte-americana são falsos, sem especificar quais informações contestava.

Da escalada ao diálogo

As negociações ocorrem após uma sequência de confrontos diretos entre as duas potências. Tudo começou com a queda de um helicóptero militar norte-americano durante operação na área do Estreito de Ormuz. Trump responsabilizou o Irã pelo incidente e anunciou retaliação.

Em resposta, forças dos EUA atacaram sistemas de defesa em território iraniano e radares na região de Ormuz. O Irã contra-atacou com ações contra uma base norte-americana no Bahrein. Na quarta-feira (10), Washington realizou novo bombardeio. Teerã respondeu lançando mísseis contra alvos em países do Golfo Pérsico.

O Irã também anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa parcela relevante do comércio global de petróleo. Após a terceira noite de ataques mútuos, Trump anunciou o consenso.

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