Israel retoma ataques em Beirute enquanto acordo EUA-Irã avança

IDF bombardeou subúrbios de Beirute no domingo; mediadores do Catar chegaram a Teerã para fechar pacto que prevê 60 dias de negociações nucleares

Por Redação TMC | Atualizado em
Smoke billows from southern Lebanon, following Israeli strikes, as seen from Nabatieh, Lebanon, June 14, 2026. REUTERS/Stringer TPX IMAGES OF THE DAY
Foto: Stringer/Reuters

O Exército de Israel (IDF) voltou a bombardear os subúrbios de Beirute neste domingo (14/06), enquanto diplomatas do Catar chegavam a Teerã para tentar fechar um acordo entre EUA e Irã. Os dois movimentos simultâneos mostram a fragilidade do cessar-fogo firmado em 7 de abril e a complexidade das negociações em curso.

Segundo o IDF, os alvos em Beirute eram infraestrutura do Hezbollah. O Gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que os bombardeios foram uma resposta a ataques do grupo no norte de Israel. Militares israelenses informaram que o Hezbollah havia lançado três projéteis contra aquela região.

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A sequência de hostilidades tem raízes em 2 de março, quando o Hezbollah disparou mísseis contra Israel. Dois dias depois, EUA e Israel atacaram o território iraniano. O Irã revidou com ataques a Israel, e Israel respondeu com novos bombardeios ao Irã no dia seguinte.

O último ataque israelense aos subúrbios de Beirute antes do domingo havia ocorrido uma semana antes. Aquela ofensiva desencadeou a escalada de combates mais intensa desde o início do cessar-fogo. Nesse período, tropas israelenses também aprofundaram a invasão ao Líbano a um patamar não visto em mais de 25 anos.

Acordo em construção, mas com lacunas

Duas autoridades regionais, que pediram anonimato, confirmaram que mediadores do Catar viajaram a Teerã no domingo para concluir o texto do pacto. Segundo autoridades paquistanesas e regionais ouvidas anonimamente, o documento prevê uma janela de 60 dias para conversas técnicas sobre o programa nuclear iraniano e sobre ativos financeiros bloqueados.

O Irã busca a liberação de bilhões de dólares em fundos congelados. Mas o acordo, conforme descrito pelas fontes, não equaciona essas questões de imediato, apenas abre espaço para negociá-las. Teerã também exige que qualquer pacto de cessar-fogo abranja os combates no Líbano.

Espera-se que o documento seja assinado de forma eletrônica, sem cerimônia presencial. Ainda não está claro quando nem como isso ocorrerá.

Israel fora da mesa

O governo de Netanyahu foi marginalizado nas negociações, conduzidas pelo Paquistão. EUA e Israel não atingiram os objetivos que declararam no início do conflito: desmantelar os programas nuclear e de mísseis do Irã e cortar o apoio de Teerã a grupos aliados na região.

Críticos dentro do Partido Republicano de Trump também contestaram o pacto. O presidente americano havia retirado os EUA do acordo nuclear com o Irã firmado em 2015, chamando-o de ruim. Agora, nas redes sociais, Trump afirmou que, quando tudo estiver calmo, os EUA atuariam para diluir e destruir o urânio enriquecido iraniano.

O que está em jogo no programa nuclear

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) registrou que o Irã acumula 440,9 quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza. Para fabricar uma arma nuclear, o nível necessário é de 90%. O Irã sustenta que seu programa tem fins estritamente pacíficos.

Acredita-se que esse material esteja armazenado sob três instalações nucleares subterrâneas, todas severamente danificadas por ataques americanos no ano passado. O Irã não se comprometeu publicamente a abrir mão do urânio enriquecido.

Trump deve discutir a remoção de minas no Estreito de Ormuz durante a cúpula do G7, que começa na segunda-feira.

Leia mais: Em meio a impasses com EUA e UE, Lula participa da cúpula do G7 na França

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