O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nos próximos dias da cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França, em meio a divergências diplomáticas sobre temas centrais da agenda internacional e à expectativa por encontros bilaterais estratégicos.
Embora tenha sido convidado para participar das discussões, o Brasil não deve aderir à maioria das declarações finais propostas pela presidência francesa do G7. Segundo fontes diplomáticas ouvidas, os textos apresentados não refletem posições defendidas pelo governo brasileiro em áreas consideradas sensíveis.
As principais divergências envolvem temas como imigração, terras raras e desequilíbrios da economia global. O governo brasileiro entende que não participou diretamente da elaboração dos documentos e, por tradição diplomática, evita assinar compromissos nos quais não teve participação efetiva durante as negociações.
A única exceção pode ser uma declaração voltada à proteção de crianças nas redes sociais. O Brasil avalia que possui protagonismo no debate e poderá aderir ao texto caso haja convergência com as propostas defendidas pelo país.
Possível encontro entre Lula e Trump
Outro tema que movimenta os bastidores da cúpula é a possibilidade de um encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Até o momento, não existe reunião oficial confirmada, mas a presença simultânea dos dois líderes no evento mantém aberta a possibilidade de uma conversa informal.
Caso aconteça, a questão tarifária deverá dominar a pauta. O governo brasileiro tenta evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos nacionais pelos Estados Unidos, tema que vem sendo discutido entre equipes técnicas dos dois países.
Apesar disso, há dúvidas em Brasília sobre a utilidade de uma reunião neste momento. As negociações técnicas ainda não registraram avanços significativos, o que reduz as expectativas por resultados concretos em um eventual encontro presidencial.
Oriente Médio e acordo comercial com o Japão
Na agenda bilateral, Lula também terá reuniões com líderes de países convidados. O encontro com o presidente do Egito, Abdel Fattah el-Sisi, deverá concentrar-se na crise do Oriente Médio, incluindo os conflitos envolvendo Palestina, Irã e a situação regional.
Já a conversa com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, tem caráter econômico e poderá marcar o início de uma nova frente de negociações comerciais.
O governo japonês propôs a abertura de negociações para um possível acordo comercial entre o Japão e o Mercosul, movimento interpretado como parte da reorganização das relações econômicas globais diante das incertezas provocadas pela política comercial de Donald Trump.
A proposta é vista com otimismo pelo governo brasileiro, especialmente porque o Japão historicamente mantém barreiras significativas à entrada de produtos agrícolas estrangeiros.
A abertura de negociações pode representar novas oportunidades para exportações brasileiras, especialmente de carnes e produtos do agronegócio, em um momento em que o país enfrenta restrições e questionamentos de mercados importantes, como China, União Europeia e Estados Unidos.
Lula defenderá multilateralismo
Durante sua participação na cúpula, Lula deve reforçar a defesa do multilateralismo e da cooperação internacional. O presidente pretende destacar a importância de organismos como a ONU e a OMC, além de voltar a defender reformas em instituições globais, incluindo a ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O discurso brasileiro também deverá incluir críticas ao protecionismo adotado por países desenvolvidos e a defesa de regras comerciais mais equilibradas para economias emergentes.
A participação do Brasil ocorre em um contexto de crescente tensão comercial internacional e de busca por novos parceiros econômicos, cenário que pode ampliar a relevância das reuniões bilaterais previstas durante a cúpula.
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