Jamil Chade
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Nome de referência no jornalismo internacional, Jamil Chade é jornalista e escritor, com vasta experiência em coberturas globais. Como correspondente internacional, analisa as forças que regem a política mundial, com foco especial nas Nações Unidas e nos temas urgentes que definem as relações entre as grandes potências.

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Brasil deve rejeitar maioria das declarações do G7 e focar em agenda bilateral durante cúpula na França

País discorda de posições sobre imigração, terras raras e economia global; encontro entre Lula e Trump segue indefinido, enquanto negociações com Japão e Egito ganham relevância

Por Jamil Chade | Atualizado em
(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nos próximos dias da cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França, em meio a divergências diplomáticas sobre temas centrais da agenda internacional e à expectativa por encontros bilaterais estratégicos.

Embora tenha sido convidado para participar das discussões, o Brasil não deve aderir à maioria das declarações finais propostas pela presidência francesa do G7. Segundo fontes diplomáticas ouvidas, os textos apresentados não refletem posições defendidas pelo governo brasileiro em áreas consideradas sensíveis.

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As principais divergências envolvem temas como imigração, terras raras e desequilíbrios da economia global. O governo brasileiro entende que não participou diretamente da elaboração dos documentos e, por tradição diplomática, evita assinar compromissos nos quais não teve participação efetiva durante as negociações.

A única exceção pode ser uma declaração voltada à proteção de crianças nas redes sociais. O Brasil avalia que possui protagonismo no debate e poderá aderir ao texto caso haja convergência com as propostas defendidas pelo país.

Possível encontro entre Lula e Trump

Outro tema que movimenta os bastidores da cúpula é a possibilidade de um encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Até o momento, não existe reunião oficial confirmada, mas a presença simultânea dos dois líderes no evento mantém aberta a possibilidade de uma conversa informal.

Caso aconteça, a questão tarifária deverá dominar a pauta. O governo brasileiro tenta evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos nacionais pelos Estados Unidos, tema que vem sendo discutido entre equipes técnicas dos dois países.

Apesar disso, há dúvidas em Brasília sobre a utilidade de uma reunião neste momento. As negociações técnicas ainda não registraram avanços significativos, o que reduz as expectativas por resultados concretos em um eventual encontro presidencial.

Oriente Médio e acordo comercial com o Japão

Na agenda bilateral, Lula também terá reuniões com líderes de países convidados. O encontro com o presidente do Egito, Abdel Fattah el-Sisi, deverá concentrar-se na crise do Oriente Médio, incluindo os conflitos envolvendo Palestina, Irã e a situação regional.

Já a conversa com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, tem caráter econômico e poderá marcar o início de uma nova frente de negociações comerciais.

O governo japonês propôs a abertura de negociações para um possível acordo comercial entre o Japão e o Mercosul, movimento interpretado como parte da reorganização das relações econômicas globais diante das incertezas provocadas pela política comercial de Donald Trump.

A proposta é vista com otimismo pelo governo brasileiro, especialmente porque o Japão historicamente mantém barreiras significativas à entrada de produtos agrícolas estrangeiros.

A abertura de negociações pode representar novas oportunidades para exportações brasileiras, especialmente de carnes e produtos do agronegócio, em um momento em que o país enfrenta restrições e questionamentos de mercados importantes, como China, União Europeia e Estados Unidos.

Lula defenderá multilateralismo

Durante sua participação na cúpula, Lula deve reforçar a defesa do multilateralismo e da cooperação internacional. O presidente pretende destacar a importância de organismos como a ONU e a OMC, além de voltar a defender reformas em instituições globais, incluindo a ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O discurso brasileiro também deverá incluir críticas ao protecionismo adotado por países desenvolvidos e a defesa de regras comerciais mais equilibradas para economias emergentes.

A participação do Brasil ocorre em um contexto de crescente tensão comercial internacional e de busca por novos parceiros econômicos, cenário que pode ampliar a relevância das reuniões bilaterais previstas durante a cúpula.

Leia mais: Tensões políticas marcam os bastidores da Copa do Mundo

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